O ator Marcello Santanna foi vítima de agressão na Zona Leste de São Paulo — Foto: Reprodução/Facebook
O motorista suspeito de ter agredido o ator Marcello Santanna, de 23 anos, dentro de um ônibus no sábado (7), se apresentou espontaneamente na delegacia hoje, segunda-feira (9). Paulo Roberto de Morais Junior, de 31 anos, negou à polícia qualquer viés homofóbico. O ator, que teve o nariz quebrado, disse que foi vítima de agressão e homofobia.
De acordo com o depoimento, ele afirmou “que a vítima, o amigo e a prima entraram no ônibus fazendo bagunça, que estavam aparentemente embriagados e começaram a incomodar os outros passageiros”. Ainda segundo Júnior, “alguns chegaram a descer do ônibus.”
Ele ainda afirmou que pediu que o grupo parasse e, neste momento, a vítima teria baixado as calças e sentado no colo do amigo. O motorista disse que, depois disso, mandou os três descerem do ônibus. A vítima teria xingado ele e dado tapas na lataria do ônibus e que isso o teria irritado. Ele afirma ter dado apenas um soco na vítima e negou que a agressão tenha viés homofóbico.
O que diz a vítima
O ator disse ao G1 que foi vítima de homofobia e que foi agredido por um motorista de ônibus na manhã de sábado em Cidade Líder, na Zona Leste de São Paulo. Segundo Santanna, o motorista parou o ônibus e falou para ele descer depois que viu o ator dando “selinhos” em outro rapaz.
O ator saiu do veículo, que faz a linha 3736-10 – Jardim Nossa Senhora do Carmo-Metrô Artur Alvim (os veículos desta linha são micro-ônibus sem cobrador). Em seguida, o motorista desceu e deu um soco no seu rosto. A agressão aconteceu na Avenida Maria Luiza Americano.
“Me recusei [a descer], disse que tinha pago e perguntei qual seria o motivo pra gente sair. Ele, então, levantou, e na mesma hora resolvi não criar uma discussão e me despedi desse rapaz e da minha prima”, relatou.
“Ao descer, levantei as mãos e disse ‘tá tudo bem, eu vou embora’. Ele já veio nos socos, sem ao menos eu nem ter tempo pra terminar de falar. O rapaz e minha prima desceram pra me socorrer, o motorista entrou na lotação e foi embora.”
Em nota, a SPTrans, que administra o sistema de transporte público de São Paulo, afirmou que “já encaminhou o caso à empresa que opera a linha para que identifique o motorista e tome as providências cabíveis em relação a seu funcionário”.
“Como gestora do sistema de transporte público, a SPTrans realiza junto às empresas operadoras o programa Viagem Segura, com treinamentos que incluem itens como condução segura, respeito aos passageiros, idosos e pessoas com mobilidade reduzida além de conduta durante casos de abuso.
Em 2018, o programa treinou 62.739 trabalhadores entre motoristas, cobradores e fiscais”, diz a o comunicado. No relato, Santanna disse que nunca tinha passado por uma situação do tipo. Também incentiva vítimas de homofobia a fazer denúncia. G1
