Nas últimas semanas, investidores disseram a um integrante da equipe do presidente da República que o adiamento na decisão de investir forte no Brasil se deve a três fatores: as declarações polêmicas de Jair Bolsonaro; as dúvidas sobre a solução da crise fiscal brasileira; e o ritmo fraco da economia.
Nessas conversas, investidores externos dizem aguardar novas medidas do Palácio do Planalto para ter um cenário mais claro sobre que rumo o país tomará. Inicialmente, havia uma expectativa de que, aprovada a reforma da Previdência, o investimento voltaria forte no Brasil, fazendo o país retomar um ritmo mais acelerado de crescimento. Só que o cenário mudou.
Primeiro, ficou claro que apenas a reforma da Previdência não resolve a crise fiscal da União. Segundo, as polêmicas criadas pelo presidente Jair Bolsonaro deixam dúvidas nos investidores sobre como será o restante do seu mandato e acabam influenciando na hora de decidir investimentos.
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O presidente Jair Bolsonaro durante o desfile de 7 de setembro, em Brasília, ao lado do vice-presidente, Hamilton Mourão, e da primeira-dama, Michele Bolsonaro — Foto: TV Globo/Reprodução
Com isso, o país não consegue decolar. As previsões de crescimento apontam, nas mais otimistas, para uma alta no PIB de apenas 1% neste ano. E até as do próximo ano começam a ser revisadas, ficando abaixo de 2%, caso o governo não consiga aprovar novas medidas para reduzir outras despesas obrigatórias, além das geradas por benefícios previdenciários.
Por isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem analisado com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a aprovação de medidas na área administrativa, reduzindo o tamanho do Estado e as despesas com pessoal. Essas ações devem ir na linha de garantir a manutenção do teto dos gastos, com a redução dos gastos da União, abrindo espaço para que o país volte a ter investimento público.
Segundo assessores de Bolsonaro, as medidas mais uma vez serão enviadas ao Congresso. E caberá aos parlamentares decidir que rumo tomar: aprovar as medidas para uma nova rodada de corte de despesas ou não solucionar a crise fiscal da União.
O último cenário representaria risco de aumento de endividamento, com volta de pressões inflacionárias e falta de recursos para bancar as despesas básicas da máquina pública. BLOG DO VALDO CRUZ/G1
