Muito além dos recorrentes casos de furtos e atos de vandalismo, as unidades municipais de ensino do Núcleo Fortunato Rocha Lima são, hoje, espaços dominadas pela criminalidade, onde o uso de drogas e práticas incompatíveis com o ambiente escolar são comuns mesmo em horários de aula.
Os relatos partiram de diretoras e professoras em reunião realizada ontem, sexta-feira (13/07), na Câmara Municipal, por iniciativa do presidente da Casa, vereador Sandro Bussola (PDT), que, ao tomar conhecimento da gravidade da situação, esteve no bairro e constatou o problema.
Os vereadores José Roberto Segalla (DEM) e Yasmim Nascimento (PSC) também participaram do encontro. Já a presidente da Comissão de Educação do Poder Legislativo, vereadora Chiara Ranieri (DEM), foi representada pelo assessor Thiago Roque.
Junto à secretária municipal de Educação, Isabel Miziara, ao comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Fernando Xavier Pinto, e ao tenente Bruno Mandaliti, a reunião buscou levantar alternativas para, com urgência, reverter o caos instaurado na EMEI Myrian Apparecida de Oliveira e na EMEF Geraldo Arone, onde também funciona um polo do CEJA – Centro Educacional de Jovens e Adultos.
Mobilização
A avaliação do que pode ou não ser feito em curto prazo deve ser feita em novo encontro, previamente agendado para as 15h da quarta-feira da semana que vem (18/07), no próprio bairro.
Além dos agentes presentes nesta primeira reunião, são esperados o prefeito Clodoaldo Gazzetta – em razão de eventuais decisões políticas que precisem ser tomadas –, o secretário municipal de Administração, David Françoso – por conta de possíveis contratações de serviços não relacionados às atividades-fim da Educação –, e os secretários Luiz Fonseca (Cultura), Vanderlei Mazzuchini Junior (Esportes), José Carlos Fernandes (Bem-Estar Social) e Letícia Kirchner (Planejamento) – pela necessidade de articulação e interdisciplinaridade de ações que gerem resultados. O Conselho Tutelar também será chamado.
Relatos assustam
A depredação e o furto do patrimônio públio viraram rotinas nas escolas, especialmente à noite e aos finais de semana. Lâmpadas, vidros, portas, bebedouros: tudo é alvo para os criminosos. Mas a invasão aos prédios por usuários de drogas, inclusive durante os dias letivos, também é comum, especialmente na quadra esportiva da Geraldo Arone, interditada em função de problemas estruturais. O alambrado que deveria isolar o espaço foi danificado.
As ações envolvem adolescentes e adultos, mas relatos de diretoras dão conta que até crianças de 9 a 10 anos, matriculadas na unidade de ensino fundamental, deixam de frequentar as aulas, ameaçam e agridem outros alunos dentro da escola. Há casos também de intimidação a professores. Também chamou atenção o fato de a caixa d’água que abastece a escola ser frequentemente utilizada como piscina por invasores.
“São quase 800 alunos na EMEF, na EMEI e no CEJA que vivem sob perigo. Não dá para conceber que escolas públicas estejam passando por isso. Vi desde copos jogados no telhado até pinos de cocaína. É necessária uma intervenção do Estado”, declarou Sandro Bussola ao final da reunião. Segundo as diretoras das unidades, o problema tem se agravado nos últimos dois anos. A PM reforçou o patrulhamento na região, mas as diretoras das unidades relataram que não encontram respaldo no Conselho Tutelar.
Primeiras sugestões
Cultivar o sentimento de pertencimento junto à comunidade, recuperar a quadra poliesportiva e abri-la aos finais de semana para que seja devidamente utilizada e transformar a antiga casa da zeladoria da Geraldo Arone em uma biblioteca-ramal foram algumas das propostas elencadas pela secretária Isabel Miziara.
Vereadores endossaram as colocações, mas observaram a necessidade de ações efetivas e imediatas no que se refere à segurança nas escolas do Fortunato, como a contratação vigilância privada e até o reforço no aspecto estrutural dos prédios. Como a Educação não dispõe de vigias, o tenente-coronel Xavier sugeriu ainda a inclusão do serviço no convênio da atividade delegada para que policiais possam prestar serviços nas escolas em seus horários de folga.
“Sabemos que há divergências sobre quais caminhos seguir. Por isso, a proposta é de todos irmos ao local para verificar a situação e, juntos, somar forçar e definir estratégias que possibilitem a retomada do controle no ambiente”, frisou Sandro Bussola, que ressalta ainda o engajamento da Comissão de Educação da Câmara no debate. Assessoria de Imprensa da CMB
