Uma idosa de 64 anos já vive há cinco meses à espera de uma vaga para uma cirurgia de coração. Moradora de Cubatão (SP), Dalva Dias da Silva está internada há todo esse tempo aguardando para fazer o procedimento. Devido a demora para liberação da vaga, ela não pode comparecer ao velório do marido e também teve que passar o aniversário no hospital. Segundo apontou o médico à família, o caso dela é grave.
Tudo começou no mês de julho, quando Dalva foi a uma consulta no Pronto Socorro de Cubatão e realizou um exame que apontou alterações no sangue, o que permitiu que os médicos descobrissem um infarto. Depois disso, a idosa precisou ser internada no Hospital Municipal de Cubatão, já que não tem convênio médico. No dia 21 de julho, ela realizou exames de ecocardiograma e no dia 28 fez o cateterismo cardíaco.
Com os procedimentos, o médico emitiu laudo afirmando que o caso era grave e que Dalva precisava de cirurgia cardíaca. Foi quando a idosa foi inserida na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) para ser transferida a um hospital referência, que faça o procedimento.
Na região, a unidade hospitalar referência é a Santa Casa de Santos. Porém, desde então, ela continua internada no Hospital de Cubatão aguardando pela cirurgia cardíaca, sem previsão de uma data para o procedimento. Já se completaram cinco meses que Dalva está à espera de uma vaga.
“Devido à pandemia, ela não pode nem sair do quarto para ir no corredor, por exemplo. Ela fica 100% do dia dentro do quarto no hospital desde que foi internada. Nem televisão tem no quarto que minha mãe está. Ela fica entediada, em uma espera infinita, sofrendo de ansiedade e saudade da vida aqui de fora. Muito lamentável”, diz o filho Lucas da Silva Lima, de 27 anos.
De acordo com ele, a família está revoltada e angustiada com a situação, mas, infelizmente, não tem condições financeiras para arcar com a cirurgia em hospital particular.
Além disso, o filho relata que no hospital, em tempos de pandemia, a mãe precisa lidar com a solidão, já que, apesar de poder ter um acompanhante de quarto, a família trabalha e é difícil ter por tanto tempo, todos os dias, alguém ter a disponibilidade de estar em tempo integral no hospital.
“O esposo dela faleceu dia 23 de setembro e nem se despedir ela pode, porque estava internada também. Teve que passar o aniversário dela no hospital. Tudo muito triste. Ela já pensou várias vezes em voltar para casa e desistir, devido ao tempo de espera. Mas é uma cirurgia muito importante, ela precisa fazer. Temos medo que ela não aguenta esperar, devido a gravidade do caso”, lamenta o filho.
Em nota, a Santa Casa de Santos, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que as vagas de internações do Sistema Único de Saúde (SUS) são controladas pelos órgãos gestores municipais e estaduais.
Já a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, afirmou, por meio de nota, que o Núcleo de Regulação da Baixada Santista está auxiliando na condução do caso da paciente em serviço especializado em cirurgia cardiovascular.
Na região, segundo a pasta, a referência é a Santa Casa de Santos. O serviço de origem avalia o caso inclusive para definir conduta terapêutica apropriada para o caso, e será orientado quanto à transferência tão logo seja viabilizada vaga pela entidade.
“É importante esclarecer que a Cross não é responsável por “liberar” a vaga, mas sim uma mediadora de pedidos dos serviços de origem. As transferências ocorrem desde que os pacientes tenham condições de transferência, como estabilidade clínica e ausência de infecções”, diz a Saúde de SP. G1 Santos e região
