O Ministério da Saúde contrariou pareceres técnicos ao barrar a ajuda da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) a indígenas no Mato Grosso do Sul contra a Covid-19. Em agosto, a organização apresentou à pasta um plano de trabalho para atender 5 mil indígenas, em sete comunidades do estado, de 10 de agosto a 7 de setembro.
Um médico, três enfermeiros e uma psicóloga atuariam na prevenção e tratamento da Covid em aldeias indígenas. No dia 17 de agosto, o secretário especial de Saúde Indígena, coronel Robson Santos da Silva, só autorizou o atendimento a uma das sete comunidades.
Contudo, segundo o processo administrativo, o secretário havia recebido apenas documentos favoráveis ao pedido da MSF, três dias antes. Os despachos foram assinados por Marcelo Alves, diretor do Departamento de Atenção à Saúde Indígena, e Zaira Zambelli, coordenadora de Gestão da Saúde Indígena.
Os documentos foram obtidos pelo deputado Ivan Valente, do PSOL de São Paulo, por meio da Lei de Acesso à Informação. Na semana seguinte, a entidade recorreu e propôs atender 6,2 mil indígenas de 11 comunidades, um número ainda maior do que o inicial.
O documento foi endossado pelo secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul, que pediu urgência ao ministério. Só assim o Ministério da Saúde liberou a ajuda. ÉPOCA
