A associação de funcionários do Banco Mundial, chamada WBG Staff Association, enviou uma carta ao conselho de ética da instituição hoje, quarta-feira (24/6), rejeitando a indicação de Abraham Weintraub ao cargo de diretor executivo do órgão internacional.
O grupo pede que a nomeação seja suspensa até o fim de uma investigação sobre declarações de caráter racistas dadas pelo ex-ministro da Educação do Brasil. “O Grupo Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição.
Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do grupo de expor o racismo onde quer que o vejamos. Acreditamos que o Conselho de Ética do Banco Mundial compartilha essa visão e fará tudo ao seu alcance para aplicá-la”, reinvidicou a associação de funcionários, por meio de nota pública.
Na segunda-feira (22/6), o ministro Celso de Mello, do STF, encaminhou o inquérito aberto contra Weintraub por racismo para a primeira instância por ter perdido o foro privilegiado ao sair do primeiro escalão do governo federal. Na nova condição, o ministro entendeu que o ex-ministro não deveria mais ser julgado pelo STF.
No mesmo dia, o governo federal modificou a data de exoneração do ex-ministro. Primeiramente publicada em edição extra do Diário Oficial da União, do último sábado, a demissão de Weintraub foi alterada para o dia anterior, segundo decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Com a nova data, a entrada dele nos Estados Unidos, no próprio sábado, pode ter desrespeitado a legislação que obriga estrangeiros a cumprir quarentena em outro país em meio à pandemia do novo coronavírus.
Weintraub também passou a ser investigado no inquérito das fake news após o vídeo da reunião ministerial em que chamou os ministros do STF de “vagabundos” e dizer que queria “todos eles na cadeia” ser divulgado. Essas falas deram origem às turbulências políticas que culminaram na saída dele do Ministério da Educação (MEC).
Antes disso, porém, a gestão do ex-ministro da Educação foi recheada de polêmicas. Uma delas ironizou o sotaque de asiáticos por meio do personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, para culpar a China pela pandemia de covid-19, em abril. Atitude que o Código de Ética do Banco Mundial coíbe.
Votação para Weintraub entrar no Banco Mundial
A nomeação de Weintraub para diretor executivo do conselho administrativo do Banco Mundial ainda precisa passar por aprovação do grupo de países do qual o Brasil faz parte, o chamado constituency. O que pode demorar até quatro semanas, segundo a própria instituição internacional. Os outros oitos países do grupo com poder de voto são Colômbia, Equador, Haiti, Panamá, Suriname, República Dominicana, Filipinas e Trinidad & Tobago.
Até o momento, nenhuma dessas nações deu mostras de resistência à indicação de Weintraub. E nunca uma candidatura brasileira ao Banco Mundial foi contestada. Caso seja eleito, o ex-ministro tem mandato válido até 31 de outubro, com probabilidade de ser renovado no mês seguinte. Correio Braziliense
