Apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter decidido propor a criação da nova CPMF, batizada de Imposto sobre Transações Financeiras, a equipe do presidente Jair Bolsonaro avalia que a ideia não deve prosperar. Segundo assessores presidenciais disseram ao blog, a proposta é até “muito boa para o governo”, mas não conta com apoio necessário no Congresso Nacional para ser aprovada.
“A ideia é muito boa para o governo, mas nem tanto para a economia”, resumiu um assessor direto do presidente Jair Bolsonaro ao blog. Segundo ele, Guedes, a princípio, convenceu o presidente a encaminhar a proposta dentro da estratégia de substituir a contribuição previdenciária. Se fosse apenas a recriação da CPMF, diz outro assessor do presidente, ele não aceitaria.
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O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, durante evento de um banco em São Paulo, em agosto de 2019 — Foto: Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo
Afinal, durante a campanha presidencial, e até depois dela, o presidente Bolsonaro assumiu o compromisso de não criar novos tributos. Chegou até a dizer que era contra a recriação da CPMF. Agora, porém, destacam esses assessores, não é a simples volta da CPMF, mas a substituição de um tributo que encarece os custos trabalhistas e contribui para o desemprego no país.
Mesmo assim, a equipe presidencial avalia que as chances de a ideia vingar são pequenas e que o tema “não deve prosperar”. Dependerá, segundo assessores, de muito trabalho de convencimento da parte da equipe de Guedes. Pelo ambiente no Legislativo, a tarefa é quase impossível.
A não ser, lembram interlocutores de Bolsonaro, de que o Congresso veja na nova CPMF uma forma de melhorar o nível de investimento do setor público, o que pode acabar beneficiando a aprovação de emendas parlamentares para aplicação de recursos nas bases eleitorais dos parlamentares. BLOG DO VALDO CRUZ/G1
