Dados do suplemento de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados hoje, quarta-feira (19), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um retrato preocupante da escolarização no Brasil .
De acordo com as estatísticas, 40% da população de 25 anos ou mais nem sequer concluíram o ensino fundamental. A taxa ajuda a compor um cenário mais amplo no qual mais da metade dessa população (52,6%) não completou a educação básica , ou seja, não chegou a se formar no ensino médio, o que corresponde a 70,3 milhões de pessoas.
Os dados são referentes ao ano de 2018 e, embora ainda mostrem um cenário negativo, apresentam evolução em relação ao alcançado em 2017 quando 40,9% da população não tinham o fundamental. Já o índice de pessoas que não terminaram a educação básica chegava a 53,8%.
— Quando olhamos o nível de instrução, observamos as pessoas de 25 anos ou mais, aquelas que estão estudando e aquelas que já pararam de estudar. Temos uma população de idosos onde o acesso à educação não foi tão fácil quanto à população jovem.
O que observamos é que os jovens estão mais escolarizados, seja porque já são mais alfabetizados nos primeiros anos da educação, ou porque já estão atingindo o ensino médio completo — diz Marina Aguas, analista do IBGE. Aguas explica que a tendência é que esse indicador melhore com o passar dos anos, já que a população mais escolarizada passará a compor a faixa de 25 anos ou mais:
— Esse percentual de pessoas com ensino fundamental incompleto diz muito sobre essa estrutura da população. Com o tempo, tem a questão demográfica da mortalidade e os jovens vão compondo esse grupo de 25 anos ou mais, esse grupo é mais escolarizado. Em tese, nossos indicadores educacionais vão melhorando.
Segundo o IBGE, o brasileiro cumpre em média 9,3 anos de estudo. Caso completasse todos os níveis de escolaridade até o superior, a média seria 16 anos. Há diferenças entre homens e mulheres nesse indicador. Enquanto o primeiro grupo estuda em média 9 anos, o segundo estuda 9,5 anos.
O indicador também evidencia disparidades importantes entre negros e brancos. Enquanto os brancos têm, em média, 10,3 anos de estudo, os negros têm 8,4 anos. A região Nordeste é onde a população tem menos anos de estudo com 7,9 anos. Os habitantes da região Sudeste estão na ponta oposta com 10 anos de estudo. O Globo/G1
