Empresário Osmar Stábile assume autoria de vídeo pró-golpe divulgado pelo Planalto Foto: ReproduçãoAcabou o mistério sobre a origem do vídeo pró-golpedivulgado em canais de WhatsApp do Palácio do Planalto no domingo, dia em que o golpe militar completou 55 anos. Conselheiro vitalício do Corinthians e ex-candidato a presidente do clube, o empresário paulista Osmar Stábile divulgou hoje, terça-feira (02), um comunicado declarando ser o “autor-produtor” do filme, que segundo seu advogado foi enviado em grupos de WhatsApp para amigos.
De acordo com a nota, a produção foi feita espontaneamente e paga pelo próprio Stábile. O advogado Piraci Oliveira, que encaminhou o texto à reportagem do GLOBO, afirmou que não foram usados recursos públicos, mas não quis informar quanto custou a produção –“foi privada”.
Ele disse não saber como o filme foi parar na Secretaria de Comunicação da Presidência da República –que até o momento não explicou por que distribuiu o vídeo por um canal oficial . O comunicado informa ainda que o empresário, que é diretor-presidente da Bendsteel Indústria e Comércio Ltda., é eleitor do presidente Jair Bolsonaro e chama o golpe de 1964 de “contragolpe preventivo”.
“Como cidadão, quite com suas obrigações constitucionais e legais, tenho o total direito de expor minha opinião de foram livre. Sou um patriota e entusiasta do contragolpe preventivo (pois é assim que boa parte que os historiadores sem ideologias pré-concebidas enxergam ‘1964’)”, escreveu o empresário.
— Ele fez esse vídeo em caráter pessoal, passou pra um grupo de amigos como ele sempre faz. Não é o primeiro vídeo que ele faz, ele tem diversos vídeos passados para grupos de WhatsApp. Passou e chegou onde chegou (no Planalto) — afirmou Oliveira.
— Ele não tem nenhuma relação com o governo, nenhuma proximidade com o bolsonarismo, nenhuma relação com órgão público. Nada. Esse vídeo não tem dinheiro público, não tem absolutamente nada. Foi um vídeo feito por um empresário, de modo particular, em São Paulo. É isso — completou o advogado.
Na declaração, Stábile diz que não tem nem teve a pretensão de “mexer com os brios, dores e sentimentos daqueles que se dizem perseguidos pelas Forças Armadas naquele importante período da nossa história”. Afirma acreditar “plenamente” nos esforços dos militares, que para ele evitaram “males políticos maiores para a nação”.
“E esse lado da história precisa ser conhecido pelas novas gerações! Uma só cansada narrativa que traz meias verdades ou mentiras não pode ser o único norte para um povo que necessita conhecer sua história! Meu vídeo, afinal, restringiu-se a falar de um momento pré-regime militar”, diz a nota.
“Por fim, não pretendo fazer revisionismo histórico algum com o meu vídeo. Só tive e tenho a intenção de mostrar a outra face da moeda”, acrescentou o empresário. Depois de informar que votou em Bolsonaro nas eleições do ano passado, ele disse pensar pensar que todo democrata deve respeitar a vontade da maioria demonstrada nas urnas.
A polêmica
No filme, o ator diz que quem tem a idade dele — não informada à reportagem — se lembra de um momento de “escuridão” para o país. Descreve essa época como um “tempo de medos e ameaças”, em que os “comunistas prendiam e matavam seus compatriotas”. E sugere aos jovens que consultem jornais e filmes do período para saber que “havia medo no ar”, “greve nas fábricas”, “insegurança”.
O narrador diz, então, que o Brasil se “lembrou” que “possuía um Exército” e, segundo ele, o povo conclamou pela ação dos militares. “O Exército nos salvou. O Exército nos salvou. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história”, diz o ator no vídeo.
Com quase dois minutos, o material não tem um selo indicando sua origem e termina com a mensagem de que os militares não querem “palmas nem homenagens”. “O Exército apenas cumpriu o seu papel”, registra o vídeo.
Questionado sobre a procedência e a decisão de divulgar o vídeo, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto informou apenas que “não irá se manifestar sobre o assunto”. O presidente em exercícioHamilton Mourão, por sua vez, afirmou que a divulgação da peça foi decisão de Bolsonaro .

O vídeo foi somente um paliativo de um seguidor . Mas lembramos que o incentivo a autorização de comemorar a ordem aos quartéis sairam do maluco do Bolsonaro ele e o responsável por essa insanidade!!!