Um estudante de 18 anos foi espancado por seguranças de um clube de Santos, no litoral de São Paulo, durante uma balada na madrugada do último sábado (23). Após sofrer uma fratura no supercílio esquerdo, ele passou por procedimento de cirurgia plástica e segue em recuperação. Segundo apurado pelo G1 hoje, terça-feira (26), o jovem foi até o Instituto Médico Legal (IML) do município para fazer exames de corpo de delito e toxicológico.
No depoimento à polícia, o jovem relatou que seguia em direção à enfermaria do clube para encontrar uma amiga que havia passado mal quando um segurança esbarrou em seu ombro e, em seguida, desferiu um soco em seu rosto. Ele teria tentado se defender, quando foi jogado ao chão e conduzido para o lado externo do clube por outro segurança, que lhe agrediu com socos nas costas. Ele afirmou que perdeu a consciência e, quando acordou, estava na enfermaria do clube.
Em entrevista ao G1, o estivador Alexandro Rodrigues, pai do jovem, disse que foi até o Clube de Regatas Vasco da Gama, no fim de semana, e teve acesso às imagens das câmeras de monitoramento. “Chegando no hospital meu filho estava em um estado lastimável”, diz.
Segundo ele, o filho teria ficado por aproximadamente meia hora procurando pela amiga, até que foi direcionado a determinado local e, em seguida, agredido por dois seguranças. Rodrigues relata que as imagens mostram o momento em que um segurança sai de dentro do salão e segue em direção a seu filho, que estava na varanda.
“Ele [segurança] para, fala algo no ouvido do meu filho e, em seguida, segura o seu pescoço. E meu filho não estava fazendo nada, ele estava só se informando onde era a enfermaria”, diz.
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Após fratura no supercílio esquerdo, ele passou por procedimento de cirurgia plástica e segue em recuperação — Foto: G1 Santos
O G1 não teve acesso às imagens das câmeras de monitoramento. A diretoria do clube confirmou que disponibilizou os vídeos ao pai do jovem e disse que o espaço foi alugado à MR Eventos e Formaturas. Segundo o clube, a segurança da festa é de responsabilidade da empresa. O G1 tentou contato com o responsável pela empresa, mas não recebeu retorno.
Agressão em casa noturna
Este não é o primeiro caso de agressão cometida por segurança durante festa em Santos. Em julho de 2018, a morte de um jovem agredidodentro uma casa noturna chocou a população. Lucas Martins de Paula, de 21 anos, foi espancado por um segurança após reclamar da diferença de R$ 15 na comanda.
Recentemente, a Câmara de Santos aprovou uma lei que tem o objetivo de contribuir para evitar abusos, constrangimento e situações trágicas em festas públicas cuja lotação ultrapasse o limite de 100 pessoas.
Segundo a legislação, que está em vigor desde o dia 1º de março, estabelecimentos como casas noturnas e salões de bailes devem exibir cartazes ou placas com o nome da empresa, endereço e identificação do responsável, além de lista com os nomes dos seguranças. G1
