Mais de 89 toneladas de peixes mortos tinham sido retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, até o fim da manhã de hoje, domingo (23). Os peixes começaram a aparecer mortos na quinta-feira (20), data em que a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) começou o trabalho de retirada dos peixes do local.
A Comlurb encerrou as atividades no local, após recolher 89,23 toneladas de peixes mortos do local. Nesta manhã, quem passava pelo local não sentia mais o cheiro forte dos últimos dias, nem via os animais mortos boiando. Ao todo, 662 profissionais, sendo 601 garis e 61 agentes de limpeza urbana, trabalharam no local, que também contou com o uso de quatro catamarãs.
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Peixes mortos apareceram na Lagoa Rodrigo de Freitas na manhã desta quinta (20) — Foto: Marcos Serra Lima/G1
A causa da morte dos peixes ainda é uma incógnita, segundo o biólogo Mario Moscatelli. “A princípio, você tem lançamento de esgoto, tem o canal do Jardim de Alah que está assoreado e não está havendo troca de água. E esse maçarico ligado. Eu já entrei aqui dentro da água e a água parece banho-maria. Não tem oxigênio para os peixes e o bicho está morrendo”, explicou o biólogo.
Para o biólogo David Zee, o risco desta mortandade era iminente dado o calor excessivo. Segundo ele, a água poluída da Lagoa funciona como alimento para o crescimento acelerado e anormal de microalgas, e o aumento das horas de insolação torna esse processo ainda mais rápido.
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Garis trabalhavam no recolhimento de peixes mortos na Lagoa na manhã desta sexta (21) — Foto: Fernanda Rouvenat / G1
Ainda segundo o biólogo, o fenômeno climático El Niño promove as altas temperaturas no sudeste brasileiro, e o bloqueio das entradas de frentes frias deixa as águas costeiras do Rio de Janeiro estagnadas. O biólogo também informou que a baixa renovação das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas agrava ainda mais a situação.
Moscatelli afirma que a situação da Lagoa Rodrigo de Freitas melhorou nos últimos anos, mas que estamos em uma outra condição climática.
“A gente precisa se atualizar e evitar esgoto, evitar o assoreamento do canal do Jardim de Alah. E precisa entender o que está acontecendo a cada ano, cada vez mais quente e atuando diretamente no ecossistema. A Lagoa é um ecossistema naturalmente frágil. Se a gente não se modernizar, isso vai ser uma prática comum a cada verão”, destacou Moscatelli.
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Ao todo, 662 profissionais, sendo 601 garis e 61agentes de limpeza urbana, trabalharam no local. — Foto: Divulgação
