O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Leonir Battisti, disse hoje, sábado (15) que a soltura do ex-governador e candidato ao Senado Beto Richa (PSDB) “não faz justiça aos fatos”.
Ele disse considerar que o pedido para libertação do ex-governador e dos outros investigados foi dirigido pelas defesas especificamente ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que já havia se manifestado anteriormente dizendo que a prisão não era correta.
“Nós entendemos que ela [a decisão] não faz justiça aos fatos, porque o ministro está distante, e especialmente em relação ao fato objetivo, o grupo das pessoas investigadas procurara este ano, em agosto, pessoas que poderiam ser testemunhas para que omitessem a verdade ou mentissem aos investigadores para evitar, então, a responsabilização ou apuração”.
Battisti ressaltou que, para ele, a conduta dos procuradores foi correta e que houve necessidade da prisão, porque houve prejuízo aos cofres públicos. “Não há, na nossa conduta, qualquer tentativa de perseguição ou de prejuízo, embora fôssemos conscientes da qualidade dos investigados e, portanto, até um possível prejuízo potencial eleitoral.
Tínhamos consciência dos efeitos disso, sabíamos das pressões. As investigações não devem se submeter aos calendários eleitorais”.
Soltura
O ministro Gilmar Mendes, mandou soltar Beto Richa e a mulher dele, Fernanda Richa, e mais 13 pessoas na noite de sexta-feira (14). Eles foram libertados na madrugada de hoje sábado (15).
Richa foi preso nesta semana em operação do Ministério Público do Paraná. Segundo o MP, Richa é suspeito de integrar esquema de propina, direcionamento de licitações de empresas, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
Richa nega
“O que fizeram comigo é uma crueldade enorme, não merecia o que aconteceu. Estou de cabeça erguida. Continuo respondendo a todas as acusações”, afirmou. O ex-governador disse que o povo do Paraná conhece a história política dele e da família. Richa se disse cansado, mas garantiu que vai retormar a campanha ao Senado.
“Foram dias, não posso deixar de reconhecer, de extremo sofrimento pra mim e pra toda minha família”, falou. O ex-governador questionou a credibilidade do delator da operação. “Vale a palavra dele ou a minha palavra?”, disse.
Ao concluir a fala, Richa afirmou que entrou no Regimento da Polícia Montada “como um homem honrado” e sai de lá da mesma forma. G1
