‘Foi uma sensação de orgulho, de fazer parte da história’, conta Gabriela Violato Seidule
A enfermeira Gabriela Violato Seidule, 34 anos, que viveu em Lins até os 23 anos e, hoje, trabalha na UTI de um hospital em Ocean Springs, cidade que fica no estado americano de Mississippi, recebeu em dezembro a primeira dose da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto pelas farmacêuticas Pfizer e BioNtech. A segunda dose do imunizante está prevista para ser aplicada no dia 7 de janeiro.
Em entrevista ao JC, ela falou sobre a situação da doença nos Estados Unidos e sobre a luta diária de pacientes e equipes de saúde. A vacinação contra a Covid-19 teve início nos Estados Unidos no último dia 14. Nesta primeira etapa, integram o público-alvo os profissionais da área da saúde que atuam na linha de frente dos hospitais.
Morando no país desde 2009 e com registro de enfermeira, Gabriela, que já teve a doença, mas se recuperou, conta que tomou a primeira dose do imunizante no último dia 17, no hospital onde trabalha. “Não é obrigatório. Você tem a opção de não tomar”, explica.
Apesar da não obrigatoriedade, ela diz que optou pela vacina por acreditar que este é o caminho para o fim da pandemia. “Foi uma sensação de orgulho, de fazer parte da história, de poder ajudar a encontrar uma resposta para o fim de tudo isso.
Ser capaz de dar este passo parece uma parte do que todos precisamos fazer para tornar nosso mundo seguro novamente, para voltar à vida onde podemos ver os rostos uns dos outros”, declara. “Estamos cansados de ver pessoas morrendo, pessoas sendo colocadas nos ventiladores e não voltarem mais, tentando lutar contra esse vírus.
O vírus existe, não é brincadeira. Se as pessoas vissem o que eu e meus colegas de trabalho vemos quase todos os dias, com certeza não teriam dúvidas do que fazer”. Segundo a enfermeira, ela e os demais profissionais que trabalham no hospital não tiveram reações ao imunizante. “Não senti nada. Só uma dorzinha no braço, que ficou dolorido por dois dias”, diz.
‘GUERRA’
Gabriela define o combate diário à pandemia como uma “guerra”. “Eu fico muito triste quando as pessoas falam que é só uma gripe. Sim, para alguns é só isso, graças a Deus. Mas e os outros que estão perdendo a vida? Porque você acha que é só uma gripe, vai correr o risco de matar outra pessoa? Quem lhe dá esse direito? Estou cansada de trabalhar sem parar contra essa guerra e ver pacientes perdendo a vida.
Por isso fiz o que achei certo, quis ajudar”, afirma. “O que vejo nas minhas redes sociais é que o pessoal do Brasil está bem ‘relax’, viajando para lugares aglomerados, como se a Covid não existisse.
Claro, não vamos parar de viver, temos que continuar, a vida continua. Mas acho que a preocupação aí não está sendo a mesma aqui. Acho que, realmente, as pessoas teriam que ver o que meus colegas de trabalho veem todos os dias”. JCNET
