Várias vítimas do acidente no interior de São Paulo entre um ônibus clandestino e um caminhão bitrem, de tamanho maior, foram arremessadas na pista com a força do impacto, segundo o Corpo de Bombeiros. A batida deixou 41 mortos e 10 feridos.
A colisão ocorreu no km 172 da Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, em Taguaí (SP), na manhã de ontem, quarta-feira (25). O ônibus, que não tinha autorização da Artesp para circular e estava com documentos irregulares, levava trabalhadores de uma empresa têxtil.
De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros de Avaré, Carlos Alexandre Prandini, equipes de Piraju, Botucatu, Avaré e Sorocaba fizeram o resgate dos passageiros. “Algumas vítimas foram projetadas para fora do ônibus, algumas estavam no interior do veículo e outras ficaram presas nas ferragens e nos bancos do ônibus também, o que dificultou a retirada.
Mas tivemos cautela para que não houvesse maiores danos nos corpos”, disse o tenente do Corpo de Bombeiros. Segundo o tenente Alexandre Guedes, porta-voz da PM, foi o maior acidente do ano nas rodovias do estado de São Paulo.
Segundo o relato de um dos sobreviventes, o ônibus invadiu a contramão em um trecho de faixa contínua para ultrapassar um caminhão e bateu de frente no bitrem, que vinha no sentido contrário. “Com a colisão uma parte da carroceria do caminhão se desprendeu, foi para o lado do ônibus.
Ela ocasionou um grave dano na lateral do ônibus e infelizmente levando a óbito tantas pessoas. Foram arrancados bancos, vítimas com membros decepados, vítimas machucadas”, relata.
Nas imagens do acidente, é possível ver que a parte da carroceria que se desprendeu “rasgou” toda a lataria direita do ônibus, justamente na altura dos bancos. As vítimas foram empurradas para fora do veículo e ficaram amontoadas na pista.
Após o acidente, o caminhão bitrem, que levava carga de esterco, invadiu uma propriedade rural. O motorista do veículo chegou a ser levado ao pronto-socorro de Fartura, mas morreu na unidade. Ao G1, a companheira do caminhoneiro informou que ele não tinha habilitação para dirigir caminhão, tinha apenas habilitação provisória para carro e, por isso, levava outro caminhoneiro junto nas viagens.
A polícia passou a trabalhar na identificação das vítimas, mas até a última atualização desta reportagem não foi divulgada oficialmente uma lista com o nome das vítimas. As prefeituras de Taguaí e Itaí decretaram luto oficial por três dias.
A rodovia
A Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho é uma pista simples e não tem pedágios. Segundo a Polícia Militar Rodoviária de Itapeva, não são comuns acidentes naquele local. A pista precisou ser interditada para atendimento da ocorrência.
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Acidente entre ônibus e caminhão deixou dezenas de mortos em rodovia de Taguaí (SP) — Foto: William Silva/TV TEM
O que diz a confecção
À TV TEM, o advogado Emerson Rodrigues, responsável pelo setor jurídico da Stattus Jeans, disse que a empresa de ônibus era contratada pelos funcionários que recebem vale-transporte. Ele não comentou sobre as condições de segurança do veículo.
Quando ocorreu o acidente, o ônibus com trabalhadores saiu de Itaí, passou por Taquarituba e seguia até a empresa têxtil em Taguaí.
Empresa de ônibus é clandestina
A Star Viagem e Turismo não tinha autorização para operar, segundo informações da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O G1 apurou que a empresa de ônibus já foi multada várias vezes e era considerada clandestina pelo órgão fiscalizador.
Nem no site da Artesp nem no da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) há registros sobre a Star Fretamento e Locação Eirelli EPP, criada em 2016 e com sede em Taquarituba, segundo dados da Junta Comercial do Estado.
O veículo envolvido na batida, com placa DJC 8811, acumula 11 multas – 2 municipais, 1 do Detran e 8 do D.E.R. Além disso, estava com IPVA, licenciamento e DPVAT atrasados, ou seja, não poderia estar em circulação. São mais de R$ 5 mil em débitos.
Segundo a Artesp, “a empresa não possui registro para transporte de passageiros e roda ilegalmente desde 11 de outubro de 2019”.
Força-tarefa
O Coordenador da Defesa Civil do Estado, Coronel Walter Nyakas Júnior, e os secretários de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, e de Saúde, Jean Gorinchteyn, foram até o local para coordenar os resgates, visitar os hospitais onde estão as vítimas e agilizar a liberação dos corpos. G1
