Dos mais de 16 mil casos de Covid-19 confirmados até o momento em Bauru, 2.052 pessoas aceitaram participar de uma pesquisa científica sobre a repercussão da infecção, realizada pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com a empresa Paschoalotto Serviços Financeiros.
No total, 1.914 infectados pela doença concluíram o questionário até a última quarta (4). Deste grupo, um dado chama a atenção: 8% responderam que, mesmo infectados, não cumpriram o isolamento. De acordo com o formulário, 153 pessoas afirmaram ter circulado com a doença em Bauru no período em que deveriam cumprir isolamento.
O dado preliminar é do mapeamento citado, que completou dois meses nesta última semana. A pesquisa ainda não passou por sua primeira análise, que deve ocorrer no próximo mês, já que a coleta de dados ocorre até 31 de dezembro. Em 2021, o estudo entrará em processo de conclusão e será publicado em revistas científicas.
“Em uma das perguntas, pedimos para que o entrevistado assinale se cumpriu as orientações médicas de isolamento social. A maior parte, 92% dos pacientes, afirma que sim. O restante tem uma lacuna para responder os motivos que causaram a quebra do isolamento.
Dentre eles, os principais são compra de alimentos e o transporte de parentes para outros locais”, afirma Ezequiel Santos, diretor da Vigilância Epidemiológica de Bauru.
Dentre os dez sintomas sugeridos pelo questionário (coriza, cansaço, febre, dores de cabeça, de garganta, no corpo, tosse, falta de ar, diarreia e ausência de paladar/olfato), o mais assinalado pelos entrevistados é a dor de cabeça, que foi relatada por 63% dos pacientes.
Em segundo lugar fica a ausência de paladar/olfato, declarada por 55% dos que tiveram Covid. Outros sintomas que se destacaram foram tosse (43%) e dor de garganta (35%). “Vale destacar que um mesmo entrevistado pode sentir de dois a três sintomas ou mais”.
Uma das questões busca saber onde o paciente acredita ter se contaminado. Quem assume as 3 primeiras posições são: domicílio (41%), mercado (25%) e trabalho (15%). “É esperado que a maior parte da contaminação seja no próprio isolamento familiar”, afirma Ezequiel.
Já em relação ao perfil dos entrevistados, até quarta-feira os números demonstravam que se tratam de mulheres (64%), na faixa dos 31 a 40 anos, moradoras das zonas Oeste, Sul e Leste de Bauru. A coleta de informações tem sido disponibilizada por meio de SMS, WhatsApp e ligações.
“As pessoas que positivaram para Covid-19 recebem o link da pesquisa por mensagem de texto e WhatsApp, que dura cerca de três minutos para ser concluída. Quando não respondem, são feitas ligações para que seja apresentado o questionário”, diz.
“Muitos pensam que é fake news. É importante que os positivados respondam às perguntas que respeitam o rigor da pesquisa. Isso ajuda para que possamos estar preparados, caso uma segunda onda mais agressiva atinja o Brasil e chegue a Bauru”.
A taxa de resposta à pesquisa é baixa se comparada com o número de infectados divulgado no boletim epidemiológico. Corresponde a 12% dos 15.871 pacientes positivados até a noite da última quarta-feira.
Além das punições previstas pelo Código Penal Brasileiro a respeito do descumprimento das determinações sanitárias e médicas, a Prefeitura de Bauru tem autorização para multar administrativamente infectados que “furam” o isolamento domiciliar.
Até o momento, nenhuma multa foi aplicada. Para o diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Luiz Cortez, mais importante que a penalidade é a conscientização, para que haja o verdadeiro cumprimento das normas. “Fazemos o acompanhamento e a orientação dos pacientes da Covid. O importante não é o medo da multa, mas a conscientização sobre a importância de se manter em isolamento”, finaliza. JCNET
