Os Estados Unidos viveram uma segunda noite de protestos, enquanto os votos da eleição presidencial continuavam a ser apurados. Manifestações que pedem a contagem de todos os votos e repudiam as tentativas de interferência do presidente Donald Trump contrastam com atos favoráveis ao presidente, que demandam a interrupção da apuração.
Embora grande parte das manifestações desta quarta-feira tenha sido pacífica, em algumas cidades houve tensão e ao menos 61 pessoas foram presas.
Em Minneapolis, no Minnesota, manifestantes bloquearam a Interestadual 91, uma das principais rodovias do estado, em um ato contra o presidente, que na madrugada de quarta declarou vitória antes que os resultados finais da apuração fossem conhecidos.
A polícia do Estado prendeu algumas das pessoas que faziam parte do protesto e se recusaram a deixar a via. A corporação não confirmou quantas pessoas foram detidas. Em Nova York, atos contra a conduta presidentcial se espalharam pela cidade. Segunda a polícia local, ao menos 50 pessoas foram detidas.
Em Denver, no Colorado, outras quatro pessoas foram presas após entrarem em confronto com as forças de segurança. Manifestações contra Trump também foram registradas em Oakland, na Califórnia, Atlanta, na Geórgia, e Detroit, no Michigan.
Na Pensilvânia, um dos estados onde a disputa está mais apertada, protestos exigindo que todos os votos sejam contados eclodiram na cidade de Filadélfia. Mais cedo, a campanha de Trump entrou com uma ação pedindo a suspensão da apuração das cédulas restantes no estado, que devem ser favoráveis a seu rival, o democrata Joe Biden.
Segundo autoridades estaduais, a contagem de todos os votos deve terminar apenas na sexta-feira. Em Portland, no Oregon, as manifestações contrárias a Trump foram majoritariamente pacíficas, mas protestos antirracismo e contrários à violência policial, que ocorrem na cidade desde maio, registraram episódios de violência.
Já em Detroit, no estado de Michigan, manifestantes a favor do presidente se reuniram em frente a um dos locais onde a apuração estava acontecendo. Eles exigiram que a contagem fosse suspensa, alegando que cédulas fraudulentas estavam sendo contadas. Alguns deles batiam na janela do local e gritavam: “Parem a contagem!”
A campanha de Trump também entrou com uma ação em Michigan pedindo a suspensão da contagem. A imprensa americana já projetou a vitória de Joe Biden no estado. Em Phonix, no Arizona, cerca de 150 manifestantes favoráreis ao presidente, alguns deles armados, se reuniram na frente de um prédio onde os votos estão sendo apurados.
A cidade faz parte do populoso condado de Maricopa, fundamental para determinar quem será o vencedor no estado. Em diversos momentos, acusaram o supervisor da apuração, Adrian Fontes, de propositalmente não contar algumas cédulas eleitorais, algo que não há qualquer evidência de ser verdade. Segundo o governo local, não há qualquer intenção de parar a contagem dos votos.
Outro protesto em Maricopa se dirigia a veículos de comunicação, como a agência Associated Press e a TV Fox News, que projetaram a vitória de Biden no estado, onde outros veículos, como o NYT e a CNN, consideram que é cedo para determinar o vencedor. Lá, os manifestantes pró-Trump pedem que “todos os votos sejam contados”. O GLOBO
