Embora tenha afirmado hoje, quarta-feira (21), em Iperó (SP) que mandou cancelar as tratativas para aquisição de 46 milhões de doses da vacina chinesa em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, o presidente Jair Bolsonaro tinha conhecimento das negociações do Ministério da Saúde para a compra do imunizante.
Após o anúncio do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), do acordo para a compra da vacina pelo governo federal, Bolsonaro se insurgiu contra a decisão. Durante reunião com governadores ontem, terça, Pazuello citou um ofício para o Butantan e falou em “compromisso da aquisição das vacinas que serão fabricadas até o início de janeiro”.
Contrariado com a manifestação do ministério, com a participação no anúncio do adversário político João Doria e pressionado pelos seguidores mais radicais nas redes sociais, Bolsonaro optou por desautorizar o ministro e atacar o governador. Uma apoiadora chegou a cobrar a demissão de Pazuello em uma rede social: “Bom dia presidente. Exonera Pazuelo urgente, ele está sendo cabo eleitoral do Doria. Ministro traíra.”
“Não compraremos a vacina da China”, escreveu o presidente na mesma rede social. Mais tarde, já em Iperó, durante visita a um centro militar da Marinha, afirmou: “O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade.”
As declarações de Bolsonaro provocaram instabilidade no governo. Auxiliares entendem que o fator preponderante para a reação virulenta do presidente foi a avaliação de que o governo estava financiando uma iniciativa para o governador de São Paulo faturar politicamente. BLOG DO VALDO CRUZ
