O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou hoje, terça-feira (13), que concorda com a afirmação do “boi bombeiro” feita pela colega Tereza Cristina.
Na semana passada, durante audiência pública na comissão do Senado que debate ações do governo contra incêndios no Pantanal, a ministra da Agricultura afirmou que o gado agiria como “bombeiro” por comer o capim do bioma, evitando que o fogo se alastrasse.
O Greenpeace, ONG que atua em defesa da preservação ambiental, especialistas classificaram a fala da ministra como “equivocada”. Hoje, terça, Salles também voltou a defender o uso do chamado fogo frio como uma medida preventiva para combater as queimadas.
A medida consiste em queimar matéria orgânica de maneira controlada e tem sido defendida por Salles desde que os incêndios começaram a devastar o Pantanal. Ele reclamou que é preciso permitir as queimadas controladas e evitar o “boicote por visões que não acreditam no formato”.
— Mas, como todos disseram, há medidas que nós podemos e continuaremos fazendo, para não só prevenir e, para isso, fazer os aceiros, permitir a criação de gado no Pantanal, como forma de reduzir a massa orgânica, permitir que seja feita a queima controlada, o uso do fogo frio, e não ter isso como algo a ser indiretamente boicotado por algumas visões que não acreditam nesse formato — afirmou Salles.
Salles, que nesta terça compareceu virtualmente à mesma comissão do Senado, fez uma defesa da frase de Tereza Cristina afirmando ter “fontes diferentes” sobre a importância da pecuária no Pantanal. O ministro, no entanto, não citou ou identificou nenhuma dessas fontes.
— Outra discussão que vem dando bastante polêmica diz respeito à história do “boi bombeiro” e a criação de gado do Pantanal. A própria ministra Tereza Cristina fez um comentário esta semana acerca da importância da criação de gado no Pantanal.
Nós concordamos — disse Salles. — Ouvimos de várias fontes diferentes sobre a necessidade de haver um reconhecimento do papel da criação de gado no Pantanal, uma vez que o gado também contribui para diminuir o que há de excesso de matéria orgânica. O capim, enfim, o pasto que ele ajuda a reduzir.
‘Boi bombeiro’ contestado
O argumento de Tereza Cristina no Senado foi de que havia muita matéria orgânica no Pantanal e, se houvesse mais gado, “teria sido um desastre até menor do que o que nós tivemos neste ano”.
A fala da ministra da Agricultura foi a seguinte: “Eu falo uma coisa que às vezes as pessoas criticam, mas o boi ajuda, ele é o bombeiro do Pantanal, porque ele que come aquela massa do capim, seja ele o capim nativo ou o plantado. É ele que come essa massa para não deixar que ocorra o que este ano nós tivemos.
Com a seca, a água do subsolo também baixou em seus níveis. Essa massa virou o quê? Um material altamente combustível, incendiário.” Na sexta, por meio de nota, o Greenpeace rebateu a afirmação da ministra da Agricultura, citando que não houve ação para que medidas preventivas fossem tomadas dado o cenário de seca que já era previsto.
“Diante de um cenário já previsto de seca severa, com focos de calor muito superiores à média desde março de 2019, não foram tomadas medidas efetivas de combate e prevenção aos incêndios, necessárias desde o primeiro semestre. Se não tivesse ocorrido um desmonte da gestão ambiental no Brasil, a situação não teria chegado a este nível de gravidade.” O GLOBO
