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‘Me entregou uma faca de cozinha’

by nevadaduartina outubro 10, 2020 No Comments

vitima Vítima de violência doméstica viveu cinco anos em relacionamento abusivo — Foto: Reprodução/Facebook

“Conheci meu agressor na igreja. Ele estava lá na frente, louvando. A princípio, achei que tivesse encontrado o amor da minha vida”, relembra uma moradora de Bertioga, no litoral de São Paulo, que prefere não se identificar.

Ela, que tem 32 anos, viveu por cinco o que chama de ‘inferno na Terra’, com o homem que achou que seria o ‘príncipe de seus sonhos’. O pesadelo só acabou quando sua filha, com pouco mais de 2 anos na época, entregou a ela uma faca de cozinha para se defender do marido enquanto era agredida.

Neste sábado (10), é comemorado o Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher. A história da moradora de Bertioga foi compartilhada nas redes sociais e tem inspirado centenas de outras mulheres a procurarem ajuda. De acordo com ela, dezenas de vítimas entraram em contato para desabafar e pedir auxílio para denunciar.

Tudo começou em agosto de 2013 e, segundo a mulher, foi ‘muito rápido’. “Rapidamente, eu já estava apaixonada, pois ele fez de tudo para me conquistar”, conta. Em dois meses, o homem já havia convencido ela a morar na casa dele, mas com um pedido pouco usual nos tempos atuais: ela deveria deixar de trabalhar para cuidar da casa.

Apesar de já atuar profissionalmente na área da fotografia, ela aceitou a proposta. Mesmo assim, o companheiro foi além com os pedidos que restringiam sua liberdade. Com o tempo, passou a pedir para que ela se afastasse de amigos e deixasse a vaidade de lado.

“Ele pediu para eu parar de fotografar, porque ele iria cuidar de mim. Achei isso muito lindo e aceitei. Depois, aos poucos, fui deixando de lado a vaidade, pois queria ficar do jeito que ele gostava. Queria agradar a ele”, relembra.

‘Primeiro tapa’

Tempos depois, o religioso se afastou da igreja e passou a beber e usar drogas, escondido da mulher. Seu comportamento agressivo era a única coisa que fazia ela perceber que havia algo errado com o marido. Durante uma visita à sogra, ela contou o que a incomodava para a mulher, que ficou arrasada e brigou com o filho.

Na noite do mesmo dia, já em casa, ele foi tirar satisfações com ela, a acusando de fazer sua mãe chorar. “Ele estava agressivo, e ali, foi o primeiro tapa na minha cara. Com a raiva, revidei, mas acabei levando mais um. Corri para o banheiro e liguei para o meu pai me buscar”, relata.

Ela foi embora, mas voltou semanas depois, quando descobriu que estava grávida de seu primeiro filho. “Ele me fez juras de amor e se mostrou arrependido. Dizia que nunca mais ia bater em mim”. Mas, ele não cumpriu a promessa. As agressões e os ataques de fúria do marido continuaram, mesmo com ela esperando um bebê

Após uma gravidez complicada e parto mais difícil ainda, ela não conseguia amamentar a filha quando ela nasceu. As enfermeiras davam leite materno no copinho para o bebê. Ela foi humilhada por isso. “Ele ficava inconformado porque eu não conseguia dar o peito para o bebê”, contou.

Meses depois, ele ficou desempregado e a tensão aumentou dentro de casa. “As agressões verbais foram aumentando cada vez mais, os empurrões, socos, chutes e pontapés sempre aconteciam”, recorda. Além disso, quando ela não queria se envolver sexualmente com o marido, ele procurava outras mulheres. “Eu tinha que ceder a hora que ele queria. Se eu não quisesse, ele se levantava e ia para a ‘zona'”.

‘Minha filha me salvou’

Os meses foram passando, e a força da mulher, se apagando. Ainda assim, o casal teve mais um filho. Ela conta que sua filha mais velha foi crescendo e, ao vivenciar as brigas e agressões, começou a entender o que estava se passando.

“Ela chorava quando começávamos a discutir, porque sabia o que viria depois”. “Acabei ficando sozinha, sem ninguém para contar. Eu já estava muito feia a essa altura, acabada com a situação. Sempre digo que cheguei a envelhecer uns 20 anos ao lado dele”, conta.

“E assim foi até a última agressão. Só eu e meus filhos pequenos”, recorda. “Ele estava em cima de mim, me dando vários socos no rosto, eu estava com a cara toda quebrada”. Sua filha mais velha, com pouco mais de 2 anos, assistia à confusão, desesperada, tentando intervir para salvar a mãe.

Então, em uma atitude inesperada, a criança buscou uma faca de cozinha e deu na mão da mãe, para se defender. “Ali, meu mundo caiu. Pude enxergar o mal que estávamos fazendo para aquela criança, meu bebê. Ela não merecia passar por isso”, diz, emocionada.

Depois da confusão daquele dia, o homem foi embora para a casa da mãe, sem prestar socorro à vítima. “Ele pediu para a mãe dele vir buscar as roupas dele, naquele drama de ir embora para sempre. Além disso, mandou eu limpar o sangue do meu rosto, para ninguém no hospital perceber”.

Ela não cedeu à ameaça e foi a uma delegacia registrar boletim de ocorrência. Se mudou de residência com seus filhos e pediu o divórcio. “Desta vez, foi para valer. Quem me deu essa coragem, essa força, foi a minha filha. Eu só pensava nela e prometi que ela nunca mais veria nenhum homem batendo na mamãe dela”, finaliza. G1

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Nivaldo José

Jornalista e Radialista com mais de 25 anos de experiência em veículos de comunicação/Rádios em Bauru. Tenho como objetivo oferecer um serviço de conteúdo com responsabilidade priorizando sempre a verdade dos fatos. A credibilidade adquirida nesse período também me compromete com as fontes de informação, o que garante a qualidade do meu trabalho.

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