No ano com maior registro de queimadas da última década da Amazônia e da História do Pantanal, os brigadistas do Ibama responsáveis por conter o fogo chegaram com quatro meses de atraso.
O GLOBO teve acesso a uma série de relatórios internos do órgão do Ministério do Meio Ambiente (MMA), mostrando que mudanças na lei e uma série de registros burocráticos contribuíram para o atraso dos brigadistas. A demora para o envio dos servidores inviabilizou a proteção de territórios indígenas e também expôs localidades do Cerrado.
Os brigadistas contratados pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Ibama (Prevfogo) foram convocados somente em agosto. No planejamento inicial, estariam na Amazônia e no Pantanal já em abril, a tempo de realizar trabalhos preventivos com equipes da Funai no manejo de fogo.
No entanto, o Ministério da Economia demorou dois meses para dar aval à viagem, embora o orçamento já estivesse acertado. A pasta afirmou ao GLOBO que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) não apresentou “uma série de documentos obrigatórios”. O MMA, procurado pela reportagem, não se pronunciou.
Em abril, o Pantanal contava com 784 focos de fogo — 23 vezes mais do que o visto no mesmo mês no ano passado (33). Na Amazônia, a quantidade de incêndios entre maio e julho foi superior à vista no mesmo trimestre em 2019. O GLOBO
