O presidente Jair Bolsonaro defendeu hoje, segunda-feira (05) seus encontros com autoridades do Legislativo e do Judiciário, criticadas por parte dos seus apoiadores.
No sábado, o presidente se reuniu com o ministro Dias Toffoli, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e, na manhã de hoje, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
— Com quem eu tomei café agora, alguém sabe? Rodrigo Maia. E daí? Estou errado? Quem é que faz a pauta na Câmara? Amanhã vou sancionar com ele e com Alcolumbre a mudança no código de trânsito, que aumentou a validade da carteira de motorista para 10 anos e passou de 20 para 40 pontos o limite da carteira. E dai? — afirmou.
Um outro apoiador, então, afirmou que o presidente estava certo e acrescentou:”isso é fazer política”. — É facilitando a vida para o povo.
Em vez de cinco em cinco anos de renovar a carteira vai ser de 10 em 10, ajudou ou não? E perder a carteira, imagine o pessoal que mexe na estrada: caminhoneiro, motorista de ônibus, de van, de táxi, para fazer 20 pontos é coisa rápida — replicou Bolsonaro.
Indicação alvo de críticas
O presidente também voltou a defender sua decisão de indicar o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Kassio Marques para a vaga de Celso de Mello, que vai se aposentar do Supremo em outubro.
O nome de Marques tem sido atacado com base na atuação dele na magistratura e em suas convicções: desde a liberação para uma licitação do STF que previa a compra de alimentos como lagostas e vinhos caros; passando por uma suposta proximidade ao PT, a pecha de “desarmamentista” atribuída a ele e até o apoio que recebe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo o presidente, a indicação para a vaga é como “seleção brasileira”.
— É muita crítica ai de quem eu to indicando pro Supremo, ou não? É que indicação pro Supremo, para muita gente ficou igual escalar a seleção brasileira: todo mundo tem seu nome, e aquele que não entrou o nome dele reclama, ai começa a acusar o cara de tudo. Esse mesmo pessoal, no passado, queria que eu botasse o Moro — afirmou.
O presidente disse que Marques era “católico e tem uma certa vivência na área militar”. Em seguida, voltou a defender que quem decidiu pela permanência de Cesare Battisti no Brasil foi o Supremo, e não o desembargador, e que a decisão de Marques que derrubou a liminar que proibia a compra de lagostas e vinhos caros no STF foi por uma questão jurídica.
— Mentira aquela questão que votou para o Battisti ficar aqui, quem disso isso foi o STF, não foi ele, decidiu em 99. O negócio das lagostas: é que a liminar não pode proibir isso ou aquilo que o Supremo pode comprar. Tem que ver se o processo licitatório estava legal e estava legal — comentou.
— Acusa ele de comunista: “ah, ele trabalhou com o PT”. Pô, o Tarcísio trabalhou com o PT. Parece que o ministro da Defesa também trabalhou para o PT. Um montão de militar serviu no governo do PT — defendeu. O GLOBO
