As queimadas que atingem o Pantanal em 2020 são as piores da sua História, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que analisa a região desde 1998. O bioma teve o setembro mais ardente já medido, com 8.106 focos de incêndio, o que dá uma média de 11 novos focos registrados a cada hora.
O número é quase o triplo dos 2.887 registrados no mês do ano passado, quando o fogo sem controle atraiu a atenção internacional para a maior planície alagada do mundo e motivou uma força-tarefa do Corpo de Bombeiros. De 1º de janeiro a 30 de setembro, foram registrados 18.259 focos de incêndio no Pantanal.
Ainda restando três meses, 2020 já ultrapassou o ano em que o bioma sofreu a maior devastação — em 2005, foram 12.536 queimadas, 45,6% a menos do que agora. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil estima que a região permanecerá vulnerável a uma estiagem severa nos próximos cinco anos, o que deve agravar o problema.
Na última quarta-feira (30), em uma audiência pública no Senado, o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, culpou a pandemia da Covid-19 pelo atraso na resposta do governo federal aos incêndios no Pantanal.
Bim disse que a crise sanitária foi responsável pela demora do governo na contratação de brigadistas que atuam no combate a incêndios florestais. A contratação de brigadistas do Ibama em 2020 só foi concluída no fim de julho, quando a temporada de queimadas no Pantanal já estava em franca expansão.
Em anos anteriores, essa contratação era normalmente concluída entre os meses de abril e junho.O Inpe também divulgou nesta quinta-feira (1º) o balanço atualizado de queimadas na Amazônia, que teve o segundo pior setembro da década, com 32.017 focos de incêndio, atrás apenas deste mês em 2017. No acumulado do ano, o bioma já registrou 76.030 queimadas, a maior parte entre julho e setembro. EXTRA
