Há exatos seis meses, Bauru registrava o seu primeiro caso do novo coronavírus. No dia 30 de março, Cláudio Buzalaf, de 51 anos, recebia o diagnóstico positivo da Covid-19. Daí em diante, travou uma batalha pela vida. Após vencer o vírus e lutar meses contra as suas sequelas, o empresário relata que conseguiu, enfim, se recuperar totalmente.
Cláudio acredita que contraiu a doença durante uma viagem para São Paulo, ainda no início da pandemia. Após a manifestação dos sintomas, ele foi para o Hospital da Unimed de Bauru, onde ficou 21 dias internado, sendo 12 deles intubado. Neste período, perdeu 17 quilos, o que afetou bastante a musculatura do corpo.
Depois da alta, ficaram as sequelas, tanto que ele precisou de mais de um mês para conseguir voltar a andar.
Por telefone, Cláudio conversou com o JC ontem e detalhou como passou por essa experiência e como foi a recuperação total da doença.
Jornal da Cidade – O senhor sabe como teve contato com o coronavírus?
Cláudio Buzalaf – Sim. Foi durante uma viagem que fiz para São Paulo, em uma reunião. Lá, tive contato com uma mulher que estava com sintomas gripais. Isso foi em 17 de março, uma terça-feira. Comecei a sentir febre na sexta-feira daquela semana, dia 20.
JC – Quando decidiu procurar atendimento médico?
Cláudio – Só fui para o hospital seis dias depois do início dos sintomas, quando já estava muito debilitado, com febre de 40 graus. Na radiografia, dava para ver que meu pulmão estava bastante comprometido. Como a gente não tinha muita noção do que era o vírus na época, demorei muito para ir ao hospital e receber o tratamento com cloroquina. Na época, diziam para a gente ficar em casa. Fiquei 21 dias internado. Em 12 deles, estava intubado.
JC – O que pensou quando acordou da intubação?
Cláudio – Pensei que tinha dormido no dia anterior e acordado no outro. Tanto é que o médico me perguntou se eu sabia há quantos dias estava lá. Respondi que tinha dormido de um dia para o outro. Então, ele me contou que estava lá há 12 dias. Mas, quando acordei mesmo, foi muito estranho. Estava com o corpo todo inchado… essa doença é complicada.
JC – Foi como acordar em outra realidade?
Cláudio – Sim. Jamais imaginei que tinha ficado tanto tempo dormindo.
JC – Como estava quando saiu do hospital?
Cláudio – Recebi alta no dia 14 de abril. Saí com 17 quilos a menos e tinha perdido quase toda a minha musculatura. Entrei com 92 quilos, saí com 75, na cadeira de rodas. Estava tão debilitado que fiquei um mês sem conseguir andar.
JC – Como foi o período de recuperação?
Cláudio – Sentia muita fraqueza e labirintite, provavelmente pela perda dos músculos. Procurei um cardiologista, que disse que eu teria que ter paciência, porque levaria um ano para voltar ao normal. Então, a partir do segundo dia em casa, comecei a treinar com um personal trainer e a fazer fisioterapia três horas por dia. Depois de quatro meses, já estava me sentindo bem e voltei para a minha rotina normal, com uma hora diária de academia.
JC – Hoje, o senhor sente que está como antes de ter o coronavírus?
Cláudio – Sim. Sinto que estou 100%, sem nenhuma sequela, com a mesma disposição que tinha antes. Recuperei 10 quilos e agora estou administrando meu peso.
JC – O que sentiu quando estava doente? E o que pensa hoje sobre a Covid-19?
Cláudio – A sensação era de uma gripe muito forte. Tive dor no corpo, dor de cabeça e febre. Fui intubado depois de quatro dias internado. Então, penso que as pessoas devem ir para o hospital o mais rápido possível.
Pelo menos cinco pessoas que conheço tiveram a doença, mas tomaram cloroquina, azitromicina e aquele vermífugo (ivermectina) logo no início, e tiveram apenas uma febre baixa ou nenhum sintoma. Eu, que demorei para começar o tratamento, infelizmente, quase morri.
JC – Qual a lição que fica dessa experiência?
Cláudio – Procurar atendimento médico o mais rápido possível, sempre que tiver sintomas. JCNET
