A aliança de MDB e PP é a mais frequente entre os candidatos a prefeito nestas eleições. Em 71 municípios, o MDB é o cabeça de chapa na coligação com o PP. Já o PP lidera a aliança com o MDB em outras 68 disputas pela prefeitura. O MDB também aparece nas outras três coligações mais frequentes nestas eleições, junto com PSDB, PSD e PL.
O levantamento foi feito pelo G1 com base no repositório de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As coligações continuam sendo permitidas na disputa para prefeito, mas estão proibidas na corrida para vereador a partir deste ano.
As alianças de MDB e PP são, inclusive, mais frequentes do que o lançamento de candidaturas a prefeito de partidos pequenos, como PMB, PSTU, Novo, PCO e UP. Na eleição municipal de 2016, a coligação mais frequente foi de PT e PCdoB, seguida por MDB e PT e MDB e PSDB.
Nestas eleições, a coligação mais ampla é registrada em Aparecida de Goiânia (GO) na chapa do prefeito Gustavo Mendanha, que concorre à reeleição em chapa junto com o candidato a vice-prefeito Vilmar Mariano. Ambos são do MDB e receberam o apoio de outros 18 partidos. Entre eles estão PSL, PT e até o PCdoB.
A assessoria de Mendanha afirma que a coligação deve crescer ainda mais, com a inclusão do PROS, que desistiu da candidatura a prefeito. Segundo a nota, o candidato “aprendeu a importância de ser conciliador” quando foi vereador e ocupou a presidência da Câmara Municipal e também recebeu apoio nestas eleições de quem foi oposição em 2016.
Coligação ampla ajuda a construir base
O professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) André Borges lembra que, ao construir uma coligação ampla, o candidato, caso eleito, deve ter facilidades para construir uma base de apoio com maioria no Legislativo.
Ele afirma que, ao formar a aliança, os partidos da coligação já constroem um plano de governo, discutem pautas e até fazem campanha juntos. “Montar uma coligação eleitoral aumenta as chances de se ter maioria do Legislativo. Quando você monta uma coligação, esses partidos geralmente vão fazer um acordo no entorno de programa de governo.
O partido cabeça de chapa pode pegar sugestões dos outros partidos. Além disso, a coligação faz com que esses partidos desenvolvam uma relação de confiança. Se você já cooperou durante a campanha, depois, quando acaba a eleição, vai ser mais fácil para esses partidos trabalharem juntos no governo”, afirma o professor.
Ele acrescenta que isso facilita a governabilidade, já que dificilmente apenas o partido do prefeito eleito terá a maioria das cadeiras, considerando a fragmentação partidária no Brasil.
“Do ponto de vista dos outros partidos [que compõem a coligação], há uma lógica parecida. Vai entrar na coligação porque já está na expectativa de, se a coligação for vencedora, ganhar um cargo, ser recompensado com uma secretaria municipal.”
Alianças ‘inesperadas’
No levantamento do G1, o PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro concorreu em 2018, se aliou principalmente a PP, PSD, PSDB e MDB. Há, porém, mais de 100 casos em que PSL e PT, rivais nas eleições presidenciais, formam juntos coligações eleitorais, acompanhados de outras siglas.
As principais alianças do PT também são com partidos grandes, com maior capilaridade, como PP e MDB. Logo depois, aparecem ainda PDT e PCdoB como partidos mais coligados.
O cientista político Bruno Schaefer, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que as coligações “inesperadas”, como a união de PSL e PT, são mais frequentes em municípios menores, onde o “significado de esquerda, direita e centro variam de acordo com as elites locais que empunham esta ou aquela bandeira”.
Ele acrescenta ainda que as coligações partidárias tendem a refletir o panorama nacional em cidades mais populosas e nas capitais, o que tem a ver, entre outros fatores, com o grau de controle dos diretórios nacionais dos partidos. “Por exemplo, em 2012, em 739 municípios (dos 3.918) com até 20 mil habitantes, PT e PSDB estiveram coligados.
“Isso não contribui para que os eleitores consigam diferenciar os partidos. Num sistema partidário em que qualquer aliança é possível, então ele não é nem um sistema partidário, é uma geleia geral. Se tivesse consistência, se fosse programático, você imaginaria que não faz sentido uma aliança entre o PT e PSL, mas parece que há município onde isso vai acontecer. Fica difícil de entender. Como pode?”, questiona.
Formação de coligação
Schaefer lembra ainda que, ao construir uma ampla coligação eleitoral, o candidato a prefeito consegue mais tempo de TV e rádio, considerado um “ativo eleitoral importante, principalmente quando consideramos localidades onde a cobertura de internet é frágil ou inexistente”.
Além disso, a construção de uma coligação enfraquece concorrentes, “na medida em que aproxima recursos (correligionários, militantes, dinheiro) que, de outra forma, poderiam abastecer outras campanhas”. O pesquisador diz ainda que os dois fatores principais que tendem a influenciar a formação de uma coligação são a proximidade ideológica e racionalidade eleitoral.
Por exemplo, se os partidos compartilham de pautas e visões de mundo, então faz sentido eles estarem juntos em uma disputa eleitoral. Porém, dependendo do contexto político, os partidos também podem optar pela aliança com um partido de outro espectro político e, assim, ampliar a parcela de eleitores na tentativa de aumentar o número de votos.
Ele destaca ainda que trabalhos da ciência política já demonstraram haver maior chance de vitória eleitoral para partidos que estão coligados. Ao mesmo tempo, acrescenta Schaefer, candidatos que buscam a reeleição também têm vantagens em atrair parceiros e conseguir construir coligações eleitorais, embora ainda sejam considerados a avaliação do candidato e o potencial de vitória.
“O fato de ter mandato (ser prefeito), significativa, geralmente, capacidade de atrair parceiros para a coligação, como podemos ver, por exemplo, no caso da disputa para a prefeitura de São Paulo (Bruno Covas). Essa relação, no entanto, é mediada pela avaliação e potencial de vitória do candidato que busca a reeleição”, diz. G1
