Invasiva aos pacientes e de risco às equipes médicas, que podem, por exemplo, se contaminar com alguma secreção, a intubação é utilizada para tratar os casos mais graves de Covid-19.
Porém, ao contrário do que ocorria no início da pandemia do novo coronavírus, a indicação para o procedimento mudou e o Hospital Estadual (HE) de Bauru passou a tentar de tudo antes de executá-lo, fato que causou uma redução da sua frequência na unidade.
Médico infectologista e coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Estadual, Lucas Marques da Costa Alves explica que, no início da pandemia, havia um padrão. “Antes, nós intubávamos e ligávamos na ventilação mecânica tão logo os pacientes não estivessem saturando muito bem ou apresentassem cansaço, porque prevíamos que eles precisariam passar pelo procedimento em um futuro próximo”, descreve.
De quatro meses para cá, a indicação mudou. “Nós percebemos que, quando segurávamos a intubação por dois ou três dias, os pacientes melhoravam”, acrescenta Alves, que também atua junto à UTI do HE. O infectologista explica, ainda, que, antes do agravamento do quadro clínico, as pessoas com Covid-19 passam pela fase de viremia, momento em que o vírus circula pelo corpo em grande quantidade.
“Depois, é a vez da inflamação. Se nós conseguirmos segurar os pacientes sem ventilação mecânica nesta etapa, a mesma, necessariamente, passará e eles começarão a melhorar”, pondera.
Por isso, a intubação em pacientes com a doença diminuiu de lá para cá dentro do Estadual, que é a referências, em toda a região, para o tratamento dos casos mais graves de Covid-19 via SUS. Contudo, o especialista observa que não existe uma indicação formal para o procedimento, variando muito de caso a caso.
EXTUBAÇÃO
Uma vez intubados, os pacientes ficam, em média, de 8 a 12 dias nesta situação (veja o passo a passo do procedimento no quadro acima). Na hora de extubá-los, é necessário retirar o sedativo para que eles consigam respirar sozinhos, fato que causa desconforto e, consequentemente, agitação.
Antes, Alves informa que os profissionais da saúde colocam em prática o desmame. “Depois de avaliar o desempenho dos pacientes e constatar que estão prontos para tanto, nós diminuímos a quantidade de oxigênio puro, assim como a pressão que os aparelhos fazem para dentro dos pulmões dos mesmos”, frisa.
Em casos muito raros, se as equipes médicas não conseguirem removê-los dos respiradores, justamente, por conta da agitação, eles passam por uma traqueostomia, que permite a retirada da sedação e dos tubos.
RISCOS
Além disso, o infectologista afirma que as pessoas que se submetem à intubação podem apresentar alguns danos neurológicos, principalmente, se permanecerem assim por um longo período de tempo, afinal, esta não é a forma ideal para respirar, com possibilidade de comprometer a oxigenação do cérebro.
De acordo com Lucas Marques da Costa Alves, como os pacientes só ficam deitados, eles também podem desenvolver atrofia muscular e sequelas nos pulmões. “Normalmente, isso volta ao normal com o passar do tempo”, tranquiliza.
Ainda segundo o especialista, quanto maior o tempo de intubação, pior é para os pacientes. Existe, inclusive, a possibilidade de eles desenvolverem uma pneumonia associada à ventilação mecânica. “Por isso, eu considero o procedimento invasivo. Logo, quando o evitamos, diminuímos os riscos”, finaliza o profissional. JCNET
