Roque Ferreira
Trinta anos atuando na área de jornalismo político em Bauru, seguramente durante essas três décadas não conheci um político ideológico fiel como meu amigo Roque Ferreira.
Trabalhei diretamente com ele (vereador 2014/2016), período em que estive como assessor de imprensa da Câmara Municipal e minha admiração pela sua convicção, postura, honestidade e principalmente com seu comprometimento pela igualdade social aumentou, pois defendia sempre suas prioridades acima de interesses setoriais: a causa coletiva, simples assim.
É muito difícil dimensionar o quanto Bauru vai perder com o “partida” dessa pessoa maravilhosa.
Foram tantas as vezes que me convidou para almoçarmos juntos nas imediações da Câmara, e eu recusava, envolvido que estava com trabalhos com prazo apertado. Ah, se o tempo pudesse voltar Roquinho.
Lembro-me bem de seus discursos “inflamados” no uso da tribuna, sempre sensatos, com conteúdo, agressivos quando necessários, mas sempre coerentes, equilibrados, e que quase nunca eram contestados, porque falava com conhecimento e propriedade de um passado sofrido, e principalmente honesto e digno, reconhecido até pelos adversários políticos.
Roque, preferia chamá-lo de Roquinho, era tão convicto ideologicamente, que quando optou por trocar de legenda partidária, PT (inclusive foi um dos fundadores em Bauru) pelo PSOL, descontente com os rumos do partido, buscou, sem alarde, outra legenda que se aproximava das propostas que ele defendia.
Mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria pela frente, já que o PSOL estava em formação em Bauru, portanto quase sem nenhuma estrutura, Roquinho aceitou o desafio e foi em busca de novos ares.
Lembro-me que, na época, o PSOL contava com apenas três ou quatro candidatos à vereador, o que provavelmente não conseguiria atingir o quociente eleitoral para eleger um vereador (há época em torno de 9 mil votos), portanto, às véspera da convenção, imediatamente o procurei para tentar convencê-lo a convidar outros militantes para também se candidatarem e, consequentemente, reforçar a legenda a ter uma maior votação.
Resumo da história, Roque Ferreira foi o sexto vereador mais votado nas eleições de 2016, com 3.332 votos, mas não foi eleito (portanto, era sabedor de sua derrota). E justamente, para não trair seus princípios ideológicos, se manteve firme defendendo sua bandeira, inclusive até recentemente participava de atos, o que os vereadores não fazem, em defesa da causa popular.
Como dói Roquinho saber que você “partiu” depois de cumprir sua missão aqui com a gente. E que, infelizmente, não o teremos mais à frente de grandes embates que certamente vamos enfrentar depois que essa pandemia passar. Apenas lhe peço Roquinho, aí de cima, fortaleça seus discípulos aqui da terra para que continuem com o enfrentamento aos exploradores. NJ
