O presidente da Associação dos Guardas Civis Municipais da Baixada Santista, Rodrigo Coutinho, disse ao G1 hoje, sexta-feira (7), que espera uma punição ‘mais rigorosa’ para o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Eduardo Siqueira, que foi flagrado novamente sem máscara na orla de Santos, no litoral paulista, e ainda debochou dos guardas em áudio, afirmando que “não dá bola” e os acusando de “poluir a praia”.
Ao G1, Coutinho afirma que o novo áudio, divulgado ontem, quinta-feira (6), não foi uma surpresa. O áudio foi enviado pelo desembargador à Reportagem após ser questionado sobre ter caminhado na faixa de areia sem utilizar máscara, em meio à pandemia de Covid-19.
O registro foi feito por uma moradora de Santos, que prefere não se identificar. Ela alega que o magistrado caminhou na praia, entre os canais 4 e 5, na manhã da última quarta-feira (5), com o equipamento de proteção no pescoço.
“Esperamos que sirva como agravante para que uma possível punição dele seja mais rigorosa”, disse Coutinho. O sindicalista reafirmou que o áudio não causou surpresa, mesmo após o desembargador ter pedido desculpas ao guarda.
“Ele já vem demonstrando que tem dificuldades de cumprir regras, e por ser um desembargador, acha que é um cidadão diferente das outras pessoas”, diz. “Quem deveria dar o exemplo de boa conduta, por ser um magistrado, é ele, e quem polui a praia jogando papel no chão é ele”, disse Coutinho, fazendo referência à frase dita por Siqueira em áudio enviado ao G1.
“Possivelmente, os demais desembargadores se envergonham em ter um colega que se comporta assim”, completa. Coutinho ainda relata que esse é um momento importante para os guardas municipais, já que há a discussão sobre a autoridade da GCM após o caso do magistrado.
Ele diz que há respaldo jurídico para o guarda autuar em fiscalizações e patrulhamento preventivo, e que esta discussão ajuda ao ressaltar a importância do trabalho da guarda. O profissional humilhado por Siqueira também se pronunciou, afirmando que o magistrado ‘não vai mudar’.
Ironia
Após obter as imagens do magistrado caminhando sem máscara, a Reportagem procurou Siqueira. Por áudio, ele disse que a moradora deveria fazer uma acusação por escrito, autenticada, para que seja verificado se é ele. Ele não confirma que estava na praia, mas não negou ao ser questionado. “Eu não me lembro.
Provavelmente não era eu”, disse o magistrado. “Uma coisa que eu ignoro são essas viaturas da guarda, esses meninos para cima e para baixo. Não dou a menor bola para eles, é um desprazer ver eles estragando, destruindo, poluindo a praia”, disse o desembargador.
O G1 ainda tentou contato via telefone para esclarecer as acusações da moradora. Siqueira atendeu, mas se recusou a falar sobre o assunto. A bermuda que ele utilizava na praia é a mesma peça fotografada em um dia em que o desembargador respeitou o decreto e utilizou máscara para caminhar. G1
