De acordo com um levantamento feito pelo G1 com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e do aplicativo Waze, a média de lentidão na capital paulista antes da quarentena era de 101,5 quilômetros e na atual fase de flexibilização, é de 31 quilômetros.
Apesar disso, o número é 5 vezes maior do que o registrado durante o período de rígido isolamento social imposto na cidade: só 5,9 quilômetros de lentidão. No dia 24 de março começou a quarentena imposta pelo governo de São Paulo contra a disseminação do coronavírus no estado.
No dia 6 de junho, teve início a flexibilização com aberturas de escritórios, imobiliárias e concessionárias da capital paulista, e no dia 10 de junho o comércio voltou a funcionar na cidade, o que gerou retorno maior de pessoas às ruas.
O G1 calculou média diária de lentidão de segunda a sexta na cidade de São Paulo do dia 2 de março ao dia 15 de julho com dados fornecidos pelo Waze/CET em três períodos. O número de veículos nas ruas cresceu desde o início do mês de junho.
No primeiro final de semana com os bares e restaurantes abertos houve um aumento de aproximadamente 18% no número de veículos nas ruas em relação ao final de semana anterior. Entre os dias 5 de junho e 15 de julho foram registrados em média 4.178.049 milhões de veículos por dia nas ruas da capital paulistIsolamento social
O principal indicador utilizado pelo governo do estado de São Paulo para medir a adesão ao isolamento social durante a quarentena é o índice de isolamento social, o qual leva em consideração dados de telefonia móvel disponibilizados pelas operadoras por meio de uma plataforma que é gerida pela Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABR Telecom).
Após a reabertura de alguns setores da economia na cidade de São Paulo, a média do indicador variou 4% para baixo. Durante o isolamento social mais rígido, o indicador variava entre 50% e 54%. Logo após o início da reabertura econômica, a variação ficou entre 46% e 49%. Quando o isolamento social diminui, aumenta o número de pessoas nas ruas.
Segundo Santiago, cada ponto percentual do índice de isolamento equivale a 1% da população da cidade, ou seja, aproximadamente, 128 mil pessoas. Dessa forma, a variação verificada entre o período de quarentena mais rígida e início da flexibilização seria de cerca de 512 mil pessoas.
“O valor absoluto é de conhecimento apenas das operadoras. No entanto, hoje as 4 operadoras detêm mais de 95% da base de celulares no estado, e são aproximadamente 104 celulares a cada 100 habitantes. Sendo assim, podemos fazer a analogia aproximada que “1%” no índice significa 1% da população”, afirma Santiago
Os dados são fornecidos gratuitamente para o estado e se referem a conexão dos celulares com as antenas de uma determinada região, dessa forma, eles comparam se a antena que o celular se conectou durante a noite é a mesma que a que ele utilizou durante o dia.
“O dado não é do celular, ele é um dado das antenas do celular. Essa é uma questão importante para se entender porque às vezes as pessoas confundem, acham que estão sendo monitoradas, não é isso.
A ferramenta que nós oferecemos capta o dado que vem da antena do celular”, afirma Marcos Ferrari, presidente-executivo do SindiTelebrasil Brasil, organização que integra as quatro maiores operadoras de telefonia móvel do Brasil e que repassa o dado do isolamento social para o governo estadual.
Aglomeração
Ainda segundo Ferrari, o “índice mede mais aglomeração e deslocamento de aglomerações”, do que o isolamento propriamente dito e “o deslocamento de pessoas”. “Como é um dado estatístico agregado, o deslocamento de uma pessoa não é relevante, é um dado que não é relevante suficiente para ser computado com o deslocamento, porque a gente mede o deslocamento de aglomerações, não de pessoas”, afirma.
De acordo com ele, apesar do aumento de pessoas nas ruas, o sistema ainda não registrou grandes aglomerações após a flexibilização.
‘Celular dormiu’
De acordo com o pesquisador Alessandro Santiago do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), os dados têm como referência a posição do celular entre 22h de um dia e 2h do dia seguinte, a qual é considerada a marcação chamada de lugar onde o “celular dormiu”. Durante o dia, conforme o celular se afasta desta referência, o isolamento é medido.
Na cidade de São Paulo, a movimentação que pode ser caracterizada como isolamento pode ser de mais de 200 metros. Ainda, de acordo com o pesquisador do IPT, os dados são enviados conforme o indivíduo realiza ligações ou utiliza dados de internet.
“Toda vez que o celular é usado para realizar ligações ou acessar dados, uma antena identifica sua localização para prover serviços de dados (2G, 3G, 4G) ou de voz para seu aparelho. A localização é feita apenas por meio de antenas de celulares (Estações Rádio Base- ERBs). Assim, não há necessidade de instalar aplicativos ou habilitar o GPS de seu celular.
A localização é obtida pelas ERBs e não por metadados de aplicativos de celular”, explica o pesquisador do IPT. “Para você ligar, para você acessar um aplicativo fica registrado na antena que você estava conectado, ou seja, o que a gente está falando aqui são de números de linhas conectadas não se sabe qual é a linha, qual é a operadora e nem quem é a pessoa.
É um dado puramente estatístico, anônimo e agregado”, completa o presidente-executivo do SindiTeleBrasil. Ferrari afirma que ainda que a cobertura na cidade de São Paulo é considerada boa, entretanto, número de antenas em bairros mais distantes é menor, por isso, o detalhamento do dado acaba sendo maior na região central do município.
“Em São Paulo, especificamente, acaba que a cobertura por definição como é o principal centro econômico do país, acaba que a cobertura é melhor.
Entretanto, nós temos um problema em relação ao município de São Paulo, em relação a legislação de antenas, nós temos uma fila grande de pedidos para prefeitura que não avança e acaba que nesse momento de pandemia a população mais vulnerável, que mora nos bairros mais distantes dos centros urbanos, fica mais prejudicada, de tal forma que caso isso fosse resolvido a cobertura seria melhor ainda”, diz Ferrari.
“Como são quatro operadoras juntas na mesma plataforma, 100% de certeza que todo lugar vai ter uma cobertura, porque se não tem uma, vai ter outra, mas o fato é que quanto mais antenas tiver em uma mesma região, maior é o acurácia”, completa o presidente da SindiTeleBrasil.
