Entre as transações imobiliárias feitas pela segunda ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle, uma em específico teve características ainda mais incomuns. Depois da separação, em 2008, ela ficou com nove imóveis.
Entre os bens mantidos, havia cinco terrenos em Resende que o casal havia comprado em 2006, quando ainda estava junto, por R$ 160 mil. Após o litígio, cinco anos depois, ela revendeu os terrenos por R$ 1,9 milhão — doze vezes o valor pago.
O comprador que contribuiu para essa incrível valorização imobiliária é um personagem envolvido em outras transações nebulosas: o empresário do setor de transportes Marcelo Traça. As compras, em março e julho de 2011, foram feitas por uma empresa da qual ele é sócio, a Alambari Empreendimentos e Participações Ltda.
Traça é um conhecido delator da Operação Lava Jato no Rio e admitiu, em sua colaboração premiada, que adquiria imóveis como forma de lavar dinheiro.
As revelações de Traça foram decisivas para o sucesso da Operação Cadeia Velha, que apurou esquema de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) envolvendo seu então presidente, o deputado estadual Jorge Picciani, e outros políticos fluminenses, como Edson Albertassi e Paulo Melo, além do empresário do ramo dos transportes, Jacob Barata.
A família de Traça chegou a ter uma administradora de bens imobiliários próprios. O interesse do empresário por Resende está relacionado ao fato de ele ter fazendas no município. Os investigadores da força-tarefa da Lava Jato não descartam a possibilidade de que os imóveis vendidos por Ana Cristina, em 2011, façam parte desse esquema.
Ele omitiu em sua delação premiada as negociações com a ex-mulher de Bolsonaro. Procurada, a defesa de Traça informou que o negócio foi “uma transação imobiliária, como outra qualquer” e negou irregularidades. ÉPOCA
