A pandemia do novo coronavírus acumula reflexos preocupantes no nível de emprego em Bauru. De março – mês em que as atividades consideradas não essenciais foram interrompidas – até maio deste ano, mais de 4 mil vagas com carteira assinada foram extintas na cidade.
Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia com base em dados fornecidos pelas empresas, 4.110 empregos formais foram perdidos no trimestre, resultado que foi impulsionado principalmente pelos setores de serviços, comércio e indústria.
Para se ter ideia do impacto da pandemia, no mesmo período do ano passado, mesmo em meio a um momento de pouco aquecimento da economia, o município havia gerado 650 novos postos de trabalho. O desempenho crítico de Bauru em 2020, contudo, acompanha uma tendência nacional.
No Brasil, foi contabilizada a extinção de 1,487 milhão de vagas de março a maio, sendo 460 mil somente no Estado de São Paulo. Em Bauru, o setor de serviços foi o mais afetado pelo fechamento temporário dos estabelecimentos.
Segundo o Caged, neste segmento, foram extintos 2.100 postos com carteira assinada no trimestre, seguido pelo comércio, que fechou o período com a redução de 1.154 vagas. Já a indústria registrou perda de 630 vagas.
ABRIL PIOR QUE MAIO
O economista Adriano Fabri destaca que comércio e serviços – carros-chefes da economia de Bauru – amargaram os piores resultados em razão das restrições impostas pelo poder público, com proibição integral ou parcial de funcionamento em fases distintas do enfrentamento à pandemia.
O que chama atenção, contudo, é que abril concentrou o maior volume de demissões – foram 3.106 postos fechados somente naquele mês. De acordo com Fabri, foram diversos os motivos que permitiram um cenário menos devastador após 100 dias da imposição de regras de distanciamento social.
Um deles foram as medidas adotadas pelo governo federal, como a prorrogação do pagamento de impostos por empresas, especialmente as pequenas, o financiamento da folha de pagamento com baixas taxas de juros e o auxílio emergencial, que garantiu um mínimo de consumo a quem ficou sem renda.
“Além disso, empresários e gestores promoveram os ajustes necessários, contando com uma venda muito mais baixa do que ela de fato aconteceu. Então, para muitos, não houve necessidade de novas dispensas.
E tivemos, ainda, muitos exemplos de reinvenção de negócio, desde o mix de produtos oferecido até o canal de vendas – redes sociais, lojas virtuais e WhatsApp -, que garantiram, no mês de maio, uma venda bem maior que abril para muitos segmentos”.
Mesmo com a reabertura do comércio em junho, o economista não acredita em recuperação, mesmo que pequena, do nível de emprego em Bauru. Para ele, a expectativa é de que o mês em que as lojas funcionaram resulte na manutenção das vagas que persistiram até agora.
O Caged também trouxe o detalhamento do perfil do trabalhador que foi mais afetado pelo desemprego no trimestre. Quanto à faixa etária, os que tinham, em sua maioria, entre 30 e 49 anos, foram os mais atingidos. Já em relação ao nível de escolaridade, os principais alvos de demissão foram os que tinham Ensino Médio incompleto ou completo.
Para o economista Adriano Fabri, os dados mostram que os gestores tentaram, por um lado, cortar funcionários que recebiam altos salários e, por outro, manter os que possuíam maior capacidade de contribuir com a superação deste momento de crise. “O objetivo foi preservar o mais estratégico e o mais em conta”, pontua. JCNET
