A posse do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, que estava prevista para amanhã, terça-feira, foi adiada após a revelação de incongruências no seu currículo acadêmico. A avaliação é de que a situação do novo ministro é complicada e sua imagem ficou “maculada” pelas informações falsas no currículo.
Segundo interlocutores, o clima ficou desconfortável no Planalto depois que vieram à tona as notícias que de que Decotelli não tem o título de doutorado e as acusações de plágio na dissertação de mestrado. O GLOBO apurou que o grupo de generais responsáveis pela indicação foi confrontado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que ficou irritado com a situação.
De acordo com fontes, o clima é de constrangimento entre os militares e apoiadores da nomeação de Decotelli ao MEC. Segundo interlocutores, as incorreções no currículo de Decotelli pegaram “todos de surpresa” gerando uma situação incômoda entre os que capitanearam a ida de Decotelli para o MEC, entre eles o general Alessio Ribeiro Souto, que participa de discussões na educação desde a transição.
Nesse momento, o governo faz um “pente fino” no histórico do ministro. Hoje, segunda-feira, Decotelli fez alterações no seu currículo acadêmico, publicado na plataforma Lattes, do CNPq. Ele retirou a informação de que fez doutorado na Argentina e pós-doutorado na Alemanha.
Agora, informa apenas que “construiu um projeto de pesquisa (…) que foi submetido à Bergische Universitat Wuppertal, na Alemanha, tendo por base pesquisa específica que teve o apoio da empresa Krone (www.krone.de)” e “realizou o curso de Doutorado em Administração pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina), tendo sido aprovado em todas as disciplinas dos créditos exigidos”.
Ter feito todas as disciplinas de um curso de doutorado não garante o título. Isso porque uma banca tem que aprovar a tese do pesquisador. Decotelli não cumpriu essa etapa. O ministro manteve ainda no currículo Lattes a informação de que é mestre em Administração pela FGV EBAPE, cuja dissertação foi acusada de plágio. O GLOBO
