Em um momento de enfraquecimento político, quando está sendo obrigado a entregar cargos ao Centrão, o presidente Jair Bolsonaro busca agradar a ala ideológica de seu governo e seu eleitorado fiel tirando Regina Duarte do comando da Secretaria de Cultura.
A decisão de Bolsonaro de se aproximar dos partidos do Centrão, grupo de legendas que costuma trocar apoio a governos em troca de cargos no setor público, gerou insatisfação na ala ideológica e no eleitorado fiel do presidente.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, da ala ideológica, chegou a resistir à nomeação de indicados pelos partidos do Centrão para diretorias de sua pasta. Acabou sendo enquadrado pelo presidente. Além disso, nas redes sociais, o presidente vinha sendo criticado por esse movimento de aproximação do Centrão.
Segundo assessores, para compensar esses grupos que apoiam o presidente, ele decidiu forçar a troca de comando na Secretaria de Cultura, para que o órgão volte à sua estratégia original, de tirar do setor a influência da esquerda na cultura brasileira.
É a volta ao conceito de uma arte definida pelo Estado, na linha conservadora e de direita, defendida no programa do então candidato Bolsonaro e que foi a política inicial da Secretaria de Cultura.
Após o ensaio de mudança, na busca de uma pacificação com a classe cultural, Bolsonaro recua para agradar o seu eleitorado fiel, insatisfeito com alguns movimentos do governo na área política. E no momento em que o presidente está na defensiva, diante da investigação das acusações do ex-ministro Sergio Moro de interferência política na Polícia Federal. BLOG DO VALDO CRUZ
