A Secretaria Especial da Cultura informou hoje, quarta-feira (22) que caberá ao próximo titular do órgão reavaliar a continuidade do Prêmio Nacional das Artes.
Em discurso para divulgar o prêmio nas redes sociais na semana passada, o então chefe da secretaria, Roberto Alvim, usou frases semelhante ao do ministro de Adolf Hitler da Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, antissemita radical e um dos idealizadores do nazismo. O episódio levou à demissão do secretário.
No discurso, Alvim prometeu patrocinar produções inéditas em diferentes áreas da cultura, como óperas, contos, espetáculos teatrais, pintura e escultura. O valor total do prêmio, segundo o governo federal, é de R$ 20,625 milhões.
Em nota divulgada nesta quarta, a secretaria afirmou que o edital com as regras para a entrega do prêmio não foi publicado. “A Secretaria Especial da Cultura informa que o edital do Prêmio Nacional das Artes não chegou a ser publicado no Diário Oficial da União.
Caberá ao novo secretário reavaliar a continuidade do Prêmio”, diz a nota da secretaria. Convidada para assumir a vaga de Alvim, a atriz Regina Duarte visitará Brasília nesta quarta. Ela ainda não aceitou formalmente o convite do presidente Jair Bolsonaro.
O vídeo, em que Alvim aparece sentado a uma mesa de gabinete com uma imagem de Bolsonaro e uma bandeira do Brasil, tem como música de fundo a obra Lohengrin, de Richard Wagner (1813-1883). O artista é um maestro e compositor alemão que escreveu ensaios nacionalistas e antissemitas, e foi tomado pelos nazistas como exemplo de superioridade musical e intelecto.
O discurso de Goebbels consta do livro “Joseph Goebbels: Uma biografia”, do historiador alemão Peter Longerich.
Compare os discursos:
Roberto Alvim
“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.”
Joseph Goebbels
“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.” G1
