O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, está “profundamente preocupado” com o anuncio do líder norte-coreano, Kim Jong-un, sobre uma possível retomada de testes nucleares e balísticos, disse um porta-voz da ONU .
“O secretário-geral torce muito para que os testes não sejam retomados”, disse o porta-voz Stephane Dujarric em comunicado. “A abordagem diplomática é o único caminho para uma paz sustentável”, disse Dujarric.
Na terça-feira (31), Kim Jong-un afirmou que “não há mais base para mantermos unilateralmente” o acordo de interromper os testes nucleares e o teste intercontinental de mísseis balísticos na coreia do Norte. O líder também declarou que “o mundo vai testemunhar uma nova arma estratégica” em um “futuro próximo”.
“Os Estados Unidos, longe de responder com as medidas apropriadas, realizaram dezenas de grandes e pequenos exercícios militares conjuntos, que seu presidente prometeu pessoalmente interromper”, afirmou Kim.
Segundo a agência estatal norte-coreana, Kim disse que o país não vai desistir de sua segurança em troca de benefícios econômicos. A agência afirmou em comunicado que o país “desenvolverá constantemente armas estratégicas necessárias para a segurança do Estado até que os EUA revertam sua política de hostilidade”.
O pronunciamento do líder vem após um impasse de meses entre Washington e Pyongyang envolvendo medidas de desarmamento e a remoção de sanções impostas à Coreia do Norte.
No dia 22 de dezembro, Kim já havia se reunido com a equipe do regime norte-coreano para discutir o aumento da capacidade militar no país.
Moderação
Em resposta à declaração de Jong-un, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou acreditar que o líder asiático honrará seus compromissos de desnuclearização.
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, também reagiu com moderação. “Esperamos que … o presidente Kim tome a decisão certa e escolha a paz e a prosperidade em vez de conflitos e guerras”, disse ele à Fox News.
O ministério da Coreia do Sul encarregado da Unificação das Coreias também se manifestou e disse que um teste estratégico de armas “não ajudará nas negociações sobre desnuclearização”.
Antecedentes
O anúncio de Kim ontem (1º) vai na contramão do que foi acordado em 2018, quando a Agência de Notícias Central Coreana afirmou que a Coreia do Norte não tinha mais necessidade de realizar testes nucleares e com mísseis balísticos intercontinentais (ICBM).
Antes de 2018, Coreia do Norte realizou seis testes nucleares e lançou mísseis balísticos capazes de atingir o território continental dos Estados Unidos. G1
