O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou hoje, sexta-feira (6) que a Polícia Militar vai realizar ações neste fim de semana no baile funk de Paraisópolis e de outras comunidades da cidade. Doria voltou a afirmar que os procedimentos da corporação serão revistos, mas não detalhou quais serão as mudanças.
A afirmação acontece após a morte de nove jovens em Paraisópolis durante uma ação da PM no domingo (1º), a morte de um homem em Heliópolis no mesmo dia, e a divulgação de vídeos em que policiais aparecem agredindo pessoas na dispersão de diferentes bailes funks.
“Haverá procedimentos distintos, revisão de protocolos, no entanto a presença da Polícia Militar está assegurada na comunidade. Eles estão cientes disso. Com a revisão de procedimentos, mas a segurança continuará a ser feita na comunidade de Paraisópolis, como em todas as comunidades aqui na Região Metropolitana de São Paulo”, disse Doria.
Questionado em coletiva de imprensa, o governador não detalhou, no entanto, quais seriam as mudanças adotadas. “De tudo se extrai lições, sobretudo em momentos de sofrimento. Nós temos que ter humildade para aprimorar procedimentos, melhorar comportamentos e manter a confiança da comunidade”, disse.

Dória confirma que a polícia vai acompanhar baile funk em Paraisópolis neste sábado (7)
Mudança de tom
Após defender a atuação da polícia, Doria mudou o tom do discurso na quinta-feira (5) e anunciou que pediria a revisão dos protocolos da PM.
“O secretário da Segurança Pública já foi orientado a rever protocolos e identificar procedimentos que possam melhorar e inibir, senão acabar, com qualquer perspectiva da utilização de violência e de uso desproporcional de força em qualquer acontecimento do estado de São Paulo”, disse.
Na segunda-feira (2), ele havia dito que a “letalidade [as mortes em Paraisópolis] não foi provocada pela Polícia Militar, e, sim, por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo o baile funk”. Na ocasião, o governador afirmou ainda: “Não houve ação da polícia, nem utilização de arma, nem ação da polícia em relação a invadir a área onde o baile funk estava ocorrendo”.
