O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir Foto: Aílton de Freitas / Aílton de Freitas/ Agência
As brigas entre os deputados do PSL são causadas por rixas estaduais, inflamadas pela proximidade da eleição municipal, no ano que vem. Esta é a visão de Delegado Waldir, o líder na Câmara do intrépido PSL, a segunda bancada da Casa.
Mas Waldir avalia que nada disso atrapalha a base do governo, pelo simples motivo de que, para ele, não há nem haverá uma base de sustentação à gestão Bolsonaro. O governo é o PSL. E só.
O governo não tem base depois de sete meses. A base é o PSL. Foi uma escolha.
Será assim até o final?
Acredito que vai ser até o final, sem base.
O senhor garante o apoio do PSL ao governo até o fim?
Temos garantidos mais de 90% em todas as matérias até o fim do governo.
O presidente falha em explicar as medidas do governo?
O presidente tem um linguajar próprio. E quando traz essa fala imediata, repercute na imprensa. Não tem uma campanha publicitária para a conscientização sobre aquilo que vai mudar, uma campanha com especialistas. Daí, ele poderia falar do jeito dele. O presidente é muito transparente e ninguém vai conseguir mudar isso. O Lula falava tudo o que tinha na cabeça dele do mesmo, mas o Bolsonaro fala numa linha mais dura. Se pegar as falas do Lula e do Bolsonaro, são muito semelhantes.
O PSL não tem essas brigas constantes.
A Carla Zambelli pediu para o Alexandre Frota ser expulso.
Vocês têm que entender o PSL. O que existe é uma briga local em São Paulo, entre o grupo do Eduardo Bolsonaro e do Major Olímpio, e do grupo do Frota e da Joice Hasselmann. Isso já vinha antes da campanha. É briga de poder.
Vou conversar individualmente. Mas por trás deles há grupos, a prefeitura de São Paulo, o governo do estado e o apoio e não apoio a Doria. Ninguém vai tirar o Delegado Waldir, o Frota ou a Zambelli nem ninguém daqui, porque há um mandato de quatro anos. Mas temos que saber que existem o Conselho de Ética, os conselhos internos do partido e uma série de regras, e o parlamentar pode sofrer consequências de seus atos. Nós podemos sofrer ações indenizatórias.
Como o senhor vê o apoio de deputados do PSL ao Doria?
É muito cedo. Não pega mal. Doria 2022 é apoio a quê?
O correto não seria apoiar o Bolsonaro?
Apoio a quê? Bolsonaro é candidato a quê? Não sabemos quem são os candidatos a presidente. Ele falou que quer, mas não falou que é candidato. Quem é candidato a presidente? Não tem nome. Quem nossos deputados vão apoiar? Vão apoiar o candidato a prefeito para São Paulo de Doria ou o candidato a prefeito do PSL? Aqui começa a encruzilhada. Mas falar de 2022, não. Vai ter o momento. Quem estiver com o Doria, tem que cortar o pescoço.
Cortar o pescoço significa o quê?
O PSL vai ter um candidato a prefeito de São Paulo e o Doria vai ter o nome dele, do PSDB. Os deputados federais, estaduais, senadores que apoiarem o candidato a prefeito do Doria têm que ser punidos.
Expulsos do partido?
Ser punido. Temos várias punições. Em Goiás, o PSL tinha uns 38 vereadores e uns quatro vice-prefeitos. Nenhum deles me apoiou ou apoiou outro candidato a deputado federal. Eu sou o presidente do partido (em Goiás). Encerrada a eleição, eu apliquei multa a cada vereador e a cada prefeito de R$ 15 mil. Esse é um critério justo e poderíamos estender com tabela a quem apoiar candidatos de outros partidos. A melhor forma é punir no bolso.
O próprio Bolsonaro falou que o partido precisa ser mais unido.
O presidente não tem um convívio diário conosco do PSL. Não tem tempo. Como ele não tem essa convivência diária, talvez ele não saiba isso que estou falando a vocês.
Falta a Bolsonaro conhecimento sobre o partido?
Ele não tem convívio diário com o PSL. O que ele sabe do PSL é muito pelo o que ele acompanha dos filhos dele, que são dois presidentes estaduais, mas não tem um diagnóstico todo. O PSL é um partido unido. Os atritos é de briga de poder.
Qual sua visão sobre Olavo de Carvalho?
Ainda bem que escutou as minhas preces e calou a boca. Ele atrapalhou muito o governo. Eu falei isso, e ainda bem que ele entendeu que tinha que se afastar das polêmicas. Ele se afastou.
O governo está livre dele?
Não tem como estar livre dele porque ele tem dois ministros, o Ernesto (Araújo) e o (Abraham) Weintraub. O Eduardo (Bolsonaro) também tem uma linha muito próxima. Calado, Olavo ajuda muito o governo.
A reforma dos militares vai passar como está?
Não. Vai ter modificações. Quais, não sei.
O senhor falou que essa reforma era um “abacaxi”.
Falei para vários ministros que a reestruturação não deveria ter vindo agora e sim depois. Politicamente não ficou bom.
Mas consegue aprovar em agosto?
Aprova.
Os decretos das armas foram acertos?
A Câmara e o Senado não vão priorizar essa questão das armas neste momento. A questão é economia. A prioridade do Brasil não é decreto de armas. Não é o momento de priorizar.
O que o senhor acha de Eduardo Bolsonaro embaixador?
Perfeito. Não tem problema. O Lula colocou o filho como sócio da Oi. De limpador de merda de elefante a um dos maiores empresários a sócio de uma das maiores empresas. O Eduardo é investigado em algum crime? O filho do Lula é.
Flávio Bolsonaro é inocente?
Não prejulgo ninguém, a investigação vai dar uma resposta. Uma vez comprovado que ele é inocente, como vamos pagar o massacre que ele sofreu nesse período?
E o Marcelo Álvaro (ministro do Turismo suspeito de encabeçar um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais)?
Mesma coisa. Vamos aguardar a investigação. O PSL não vai passar a mão na cabeça de ninguém que tenha errado.
Nem se for o filho do presidente?
Nem filho do presidente.
Garante?
