No Rio de Janeiro, onde o protesto reuniu cerca de 250 mil pessoas, faixa protesta contra o governo Bolsonaro Foto: RICARDO MORAES / REUTERS
O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã de hoje, quinta-feira (16), que o contingenciamento de verbas para a Educação, motivo das manifestações contra seu governo ontem, não foi decisão dele e que, se não tivesse sido feito, poderia gerar um processo de impeachment.
— Quem decide corte não sou eu. Ou querem que eu responda a um processo de impeachment no ano que vem por ferir a lei de responsabilidade fiscal? Por não ter previsto que a receita foi menor do que a despesa? É a realidade.
Bolsonaro também disse só ter visto “faixa de Lula livre” nas manifestações, que reuniram centenas de milhares de pessoas em mais de 200 cidades do país.
— Ontem, só vi faixa de “Lula Livre”, mais nada. Vi uma manifestação, agora de manhã, de professores de escolas particulares cujos filhos foram levados para a passeata, nem sabiam o que estava acontecendo — afirmou a jornalistas na porta do seu hotel.
As afirmações foram feitas na cidade de Dallas, onde Bolsonaro está para receber o prêmio “Personalidade do Ano”, concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. O presidente afirmou ainda que os problemas da Educação antecedem o seu governo.
— Parece que até 31 de dezembro a Educação estava uma maravilha, e de lá para cá virou esse horror. Veja as notas do Pisa (programa internacional de avaliação de estudantes) , que começaram em 2000. Somos os últimos classificados num grupo de aproximadamente 65 países.
Cobrem a tabuada da garotada da nona série: 70% não sabem a regra de três. Quem diz não sou eu, é o Pisa. Não sabem interpretar um texto, não sabem responder a perguntas básicas de ciência. Eu que sou o responsável por isso?
— Como é que você vai empregar esse pessoal? Tenho pena deles. Faço o que for possível, mas não posso fazer milagre, não posso obrigar ninguém a empregar ninguém — disse.
O presidente também afirmou que, hoje em dia, ser formado significa só colocar um papel na parede que, “em parte”, não serve para nada.
— Até jornalista. Tem jornalista que tem o português pior que o meu. É assim que está sendo formada a nossa juventude no Brasil. Isso tem que mudar — disse.
‘Vamos viver de capim’
Bolsonaro também rebateu um dos argumentos dos acadêmicos: o de que os cortes de bolsas de pós-graduação da Capes e do CNPq afetam pesquisas que estão sendo conduzidas nas universidades.
— Entre as 250 melhores universidades do mundo não tem nenhuma brasileira e vocês vão me falar que estamos prejudicando pesquisa? Pesquisa até temos, na Mackenzie, no IME, ITA, em algumas poucas universidades. Não temos nada no Brasil.
Quando acabar o nosso commoditie, a gente vai viver do quê? Me desculpe agora, baixando o nível, a gente vai viver de capim. Quando acabarem nossas commodities, quando acabarem os minérios e exportarmos sem agregar valor, a gente vai viver do quê?
— É isso que querem? Não vou ser eu. O que vai acontecer comigo? O povo que decida, pô, o Parlamento que decida, eu vou fazer minha parte. Não vou sucumbir, vou fazer o que falei durante toda a campanha. Vou viver, como vivo dentro da minha casa, com prisão domiciliar, sem tornozeleira eletrônica, trabalhando pelo Brasil.
Agora, ontem, o que foi feito no Brasil? Uma passeata “Lula Livre”, um bandido que está preso, condenado, cumprindo pena, roubou não só a Petrobras, não, acabou com os Correios, com o fundo de pensão Postalis, comprou papeis da Venezuela. Alguém acredita num papel da Venezuela? Compraram. Por quê? Porque não vai ser pago. E assim foi com o fundo de pensão, arrebentaram com o Brasil economicamente, eticamente. O Globo/G1
