O patrimônio que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) declarou à Justiça Eleitoral cresceu 397,1% entre 2006 e 2018, intervalo de 12 anos em que o filho do presidente Jair Bolsonaro exerceu três de seus quatro mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Reeleito pela primeira vez em 2006, quando tinha R$ 385 mil em bens, o parlamentar é hoje dono de um patrimônio de R$ 1,74 milhão.
No fim de abril, o sigilo bancário de Flávio foi quebrado junto de familiares, de empresários com quem realizou transações imobiliárias e de Fabrício Queiroz, que foi seu motorista enquanto deputado estadual do Rio de Janeiro. As suspeitas sobre as finanças do senador vêm desde o ano passado, quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações atípicas na conta dele.
Em 2010, ao buscar a aprovação das urnas para um terceiro mandato na Alerj, o total de bens chegou a R$ 690.900. Na declaração, havia um carro mais novo (outro Peugeot, dessa vez datado de 2008) no valor de R$ 58 mil; o apartamento na Urca; aplicações e investimentos no valor de R$ 4.500; créditos de R$ 10 mil no Banco Itaú e R$ 268.300 referentes a um conjunto de salas comerciais na Barra da Tijuca, que foram vendidos à empresa MCA Exportação e Participações.

Hoje, a MCA também está com o sigilo bancário exposto na investigação relacionada a Flávio. Isso porque as salas comerciais foram adquiridas pela empresa pouco tempo após o parlamentar tê-las comprado — e lucrado mais do que o esperado com o negócio.
Rumo ao quarto mandato na Alerj, em 2014, Flávio declarou à Justiça Eleitoral que tinha R$ 714.300 em bens. O carro era um Honda orçado em R$ 105 mil e os imóveis na Urca e na Barra da Tijuca haviam sido vendidos e deram lugar a um apartamento em Laranjeiras, na zona sul, avaliado em R$ 565.800. Havia ainda um saldo em conta corrente na casa dos R$ 43 mil.

Ao concorrer para a prefeitura do Rio em 2016, em uma empreitada malsucedida, Flávio declarou ter acumulado R$ 1,45 milhão. Somou ao bens, naquele ano, uma loja de chocolates que valia R$ 50 mil; aplicações totalizadas em R$ 13.200; um fundo de capitalização de R$ 3.200 e um saldo de R$ 8.500.
Também entraram na conta a metade de um apartamento na Barra da Tijuca, no valor de R$ 851 mil, e o carro Honda, de R$ 105 mil, o mesmo declarado na eleição de 2014.
Ao fim da sequência de mandatos como deputado e na primeira tentativa de chegar ao Senado (bem-sucedida ao extremo, uma vez que ele foi o mais votado da história da Casa), Flávio declarou patrimônio de R$ 1,74 milhão. As salas comerciais na Barra da Tijuca voltaram a aparecer, dessa vez no valor de R$ 150 mil.
As aplicações e os investimentos cresceram para R$ 558.200. O apartamento da Barra da Tijuca foi declarado como se pertencesse inteiramente a Flávio, no valor de R$ 917 mil. E o carro era novo: um Volvo XC 2014, no valor de R$ 66.500. ÉPOCA/G1
