A Justiça de Minas Gerais determinou ontem, sexta-feira (25) o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas da Vale, após o rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. O acidente foi no início da tarde desta sexta. Até o início da madugada deste sábado (26), havia 9 mortes confirmadas pelos bombeiros, até 300 desaparecidos e 189 pessoas resgatadas.
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Rompimento de barragem em Brumadinho — Foto: Douglas Magno / AFP
Segundo decisão liminar do juiz Renan Chaves Carreira Machado, o bloqueio atende a um pedido do governo do estado de MG para “imediato e efetivo amparo às vítimas e redução das consequências” do desastre. O valor bloqueado deve ser transferido para uma conta judicial. Entre outras medidas, a mineradora também fica obrigada a apresentar um relatório sobre as medidas já tomadas de ajuda às vítimas em até 48 horas.
Na sentença, o juiz determina ainda:
- que a mineradora cumpra protocolo para desastres, para estancar os vazamento da barragem em até 5 dias;
- que dê início à remoção do volume de lama lançado pelo rompimento da barragem
- que realize mapeamento para elaborar um plano de recomposição da área afetada
- que adote medidas para evitar a contaminação de nascentes
- que controle, imediatamente, a proliferação de pragas e vetores de doença
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Arte – Barragem da Vale se rompe — Foto: Igor Estrella/G1
O que se sabe até agora:
- Rompimento ocorreu no início da tarde na Mina do Feijão, da Vale, em Brumadinho;
- Mar de lama destruiu casas;
- Havia empregados da Vale no local atingido pelo rompimento;
- Há 9 pessoas mortas, outras 7 feridas e até 300 desaparecidas;
- A Vale tinha 427 pessoas no local, e 279 foram resgatadas vivas;
- Corpo de Bombeiros e Defesa Civil estão no local; helicópteros resgatam pessoas ilhadas em diversos pontos;
- Ao menos seis prefeituras emitiram alerta para que população se mantenha longe do leito do Rio Paraopeba, pois o nível pode subir. Às 15h50, os rejeitos atingiram o rio;
- Rodovia estadual que leva a Brumadinho está fechada;
- Governo montou gabinete de crise; Bolsonaro vai sobrevoar o local no sábado;
- Por precaução, o Instituto Inhotim retirou funcionários e visitantes do local.
As barragens recebem classificações quanto a risco e dano potencial. Quase todas as barragens da Vale no Córrego do Feijão era consideradas de Baixo Risco, mas Dano Potencial Alto (apenas a Barragem VII tinha Dano Potencial médio).
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Casa fica abaixo da lama após rompimento de barragem — Foto: TV Globo
Onda de rejeitos
O vazamento de rejeitos deixou em estado de atenção municípios banhados pelo Rio Paraopeba. Há risco que, em consequência do incidente, o nível suba repentinamente. Na região Centro-Oeste de Minas, Pará de Minas e Itaúna estão fazendo monitoramento. A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que a “onda de rejeitos” deve ser amortecida pela barragem da usina hidrelétrica de Retiro Baixo, localizada a 220 quilômetros do local do rompimento.
A estimativa da agência de águas é de que os rejeitos atinjam a barragem da hidrelétrica em cerca de dois dias. A ANA afirmou que está monitorando a onda de rejeito e coordenando ações para manter o abastecimento de água e sua qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba.
Segundo a Copasa, o abastecimento de água na Região Metropolitana de BH não deve ser prejudicado. A companhia está monitorando a situação. G1
