O embaixador da França nos Estados Unidos, Gerard Araud Foto: Reprodução/Twitter
O embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, respondeu ontem, quarta-feira (19), à crítica que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, fez à imigração na França. Citando o tuíte da agência de notícias France Presse em que se lê “Bolsonaro: ‘É insuportável viver na França'”, o diplomata francês, também no Twitter, escreveu: “63.880 homicídios no Brasil em 2017, 825 na França. Sem comentários”.
— Todo mundo sabe o que está acontecendo na França, é simplesmente insuportável viver em certos lugares da França — disse Bolsonaro. — E a intolerância tende a continuar aumentando, e aqueles que foram para lá, o povo francês os acolheu da melhor maneira possível.
No vídeo, Bolsonaro também comentou o anúncio feito na semana passada pelo futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o Brasil deverá sair do acordo de migração da ONU, recém-aprovado pelo atual governo brasileiro. O Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular teve a adesão de 164 países, mas sofreu a oposição dos EUA e de países governados pela extrema direita nacionalista, como Hungria e Polônia.
O presidente eleito atacou a imigração em termos genéricos, mas deu a entender que se referia a imigrantes africanos e de países muçulmanos na Europa.
— Vocês sabem da história dessa gente. Eles têm algo dentro de si que não abandona suas raízes. Eles querem fazer valer sua cultura, os seus direitos lá de trás e seus privilégios. A França está sofrendo isso. Não queremos isso para o Brasil. Para entrar no país deve haver um critério rigoroso. No que depender de mim enquanto chefe de Estado, eles não entrarão — afirmou.
O Brasil tem cerca de 1 milhão de estrangeiros residentes, menos de 0,5% de sua população e apenas um terço dos 3 milhões de brasileiros que vivem no exterior. O pacto sobre migração não cria obrigações legais para os países signatários; seu objetivo é coordenar as políticas nacionais de imigração, de modo a combater o tráfico de pessoas e facilitar a regularização da situação dos imigrantes.
Ao criticar a decisão do futuro governo de abandonar o acordo, o atual chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, lembrou que o objetivo do Brasil ao endossar o o pacto não é apenas a proteção dos estrangeiros que vivem no país, mas dos brasileiros que vivem no exterior.
