O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva 07/12/2017 Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
A decisão do ministro Marco Aurélio de Mello de mandar soltar presos condenados em segunda instância foi recebida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cautela. O petista não comemorou a iniciativa que poderia beneficiá-lo, segundo interlocutores. Em meio ao processo que se arrastou até o fim da noite de ontem, quarta-feira (19), quando o ministro Dias Toffoli derrubou a decisão, Lula sequer arrumou sua mala.
Com quem conversou, Lula se mostrou aparentemente sem expectativa de deixar a Polícia Federal de Curitiba, onde está preso desde abril deste ano.
– Em momento algum ele acreditou – contou um aliado, que mantém contato com a equipe de advogados do ex-presidente.
A cautela adotada pelo ex-presidente foi justificada por outro episódio frustrado de tentativa de libertação. Em julho, o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF4) Rogério Favreto também mandou soltá-lo. Depois de forte reação dos procuradores da Lava-Jato, a ordem foi cassada por Thompson Flores, presidente daquele tribunal.
Ainda assim, a possibilidade de libertação do petista gerou tensão na PF. Telefones não pararam de tocar. O clima se acalmou apenas à noite, quando já era dada como certa a suspensão da liminar de Marco Aurélio. O ex-presidente deve celebrar o Natal antecipado com seus familiares nesta quinta-feira, dia reservado para visitas de parentes e amigos. A PF não permite a presença de parentes nem cardápios especiais durante os feriados.
Um grupo de petistas irá amanhã para Curitiba para fazer um ato no acampamento erguido em frente à PF de Curitiba em apoio a Lula. Entre os integrantes da comitiva estão a presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR) e o deputado federal Paulo Pimenta (RS). O evento já estava marcado antes da decisão de Marco Aurélio Melo.
Policiais da carceragem de Curitiba relatam que o local ficou em polvorosa com a liminar concedida pelo ministro do STF. Como quarta-feira é dia de visitas, exceto para Lula que as recebe as quintas-feiras, familiares dos presos comemoraram a decisão na sala de espera do PF acreditando que eles poderiam ser soltos. O Globo/G1
