A idosa Jandira Prado Monteiro, sobrevivente do ataque dentro da Catedral de Campinas (SP) em 11 de dezembro que causou a morte de seis pessoas, entre elas o atirador que se suicidou, afirma que o filho pulou por cima dela para a proteger durante os tiros. Sidnei Vitor Monteiro, de 39 anos, morreu baleado no ataque.
A mulher de 62 anos teve a clavícula quebrada por um tiro. Ela ficou internada até a tarde de 12 de dezembro e deixou o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti para ir ao velório do filho. Em entrevista ao Fantástico, ela relatou o momento em que o filho a protegeu.
“Ele me protegeu, ele me empurrou para dentro do banco e caiu por cima de mim. Quando ele viu que os tiros continuavam, ele chamou para correr. Eu virei, o sangue dele minou nas costas. Falei ‘meu Deus do céu'”, relembrou.
“Eu sai lá para fora e já comecei a pedir socorro. ‘Socorro, socorro, Nossa Senhora Aparecida, nosso Senhor Jesus Cristo. Nós estamos machucados aqui, nós estamos baleados aqui'”, conta a idosa. Ela e o filho estavam sentados dois bancos atrás do atirador, Euler Fernando Grandolpho.
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Jandira Prado Monteiro conta que filho a protegeu durante ataque na Catedral de Campinas — Foto: Reprodução/TV Globo
Motocicleta em troca de armas
O Fantástico também conversou com o delegado José Henrique Ventura, do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-2). Segundo Ventura, a suspeita é que o atirador tenha conseguido as duas armas usadas no crime ao trocá-las por uma moto. A troca teria ocorrido em 2014.
Grandolpho era analista de sistemas e não trabalhava havia quatro anos. Segundo Ventura, o atirador morava com o pai, com que tinha um relacionamento ‘conflituoso’. Além disso, repetia constantemente que estava sendo perseguido.
“Ele morava com o pai, com quem também ele tinha um certo relacionamento conflituoso, e os dois viviam juntos numa casa e ele muito isolado”, afirma o delegado. Imagens obtidas pelo Fantástico mostram o Grandolpho deixando o condomínio em que morava, em Valinhos (SP). Ele estava a pé e carregava uma bolsa.
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Vídeo mostra Euler Grandolpho caminhando no dia do ataque dentro da Catedral de Campinas — Foto: Reprodução/TV Globo
A chacina
Segundo a Polícia Militar (PM), logo após escutarem os disparos na Catedral, policiais militares entraram na igreja e balearam Euler na costela para impedir que ele continuasse a atirar contra os fiéis. Ferido, ele se matou com um tiro na cabeça, de acordo com a corporação. Câmeras de segurança da catedral, que é da religião católica, gravaram o momento em que Euler saca a pistola.
A Polícia Civil investiga a motivação da chacina cometida pelo homem, que morava com os pais em Valinhos, e trabalharia como analista de sistemas após ter pedido exoneração do cargo de oficial de promotoria no Ministério Público (MP).
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Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, atirador que matou 4 pessoas na Catedral de Campinas e depois se matou — Foto: Reprodução/Facebook
Entre as hipóteses apuradas para explicar o crime estão o fato de Euler ter tido uma espécie de surto psicótico em decorrência de depressão. Segundo parentes e testemunhas que conviviam com ele, o atirador tinha mania de perseguição, chegando a denunciar vizinhos à polícia que supostamente o estariam seguindo.
Os familiares confirmaram aos policiais que o atirador chegou a fazer tratamento para depressão e temiam que ele cometesse suicídio. O pai disse à investigação desconhecer o fato de o filho ter armas.
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Homem atira e mata fiéis durante missa na catedral de Campinas — Foto: Arte / G1
Perfil depressivo
De acordo com o delegado Ventura, os investigadores descobriram que o atirado fazia uma espécie de diário onde anotava placas de carros e informações sobre supostas perseguições a ele.
“Ele tinha um perfil de se sentir perseguido. Chegou a registrar boletins de ocorrência e segundo consta, até em função desse perfil, que poderia vir de uma depressão, ele fez uma consulta no CAPS que é um centro de apoio psicossocial para tratar disso”, afirmou o delegado do Deinter-2.
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Catedral Metropolitana de Campinas apresenta marcas da tragédia da última terça (11) — Foto: Andre Natale
Os familiares confirmaram que o atirador chegou a fazer tratamento para depressão e temiam que ele cometesse suicídio. O pai disse aos policiais desconhecer o fato de o filho ter armas. Grandolpho estava com duas, ambas com numerações raspadas, alvo das apurações nesta quarta.
“A família hora nenhuma desconfiou que ele poderia ter alguma arma, ele nunca falou em arma, nunca foi visto com arma, às vezes quando estava depressivo tinha conversas estranhas, o que fazia com que eles temessem que pudesse cometer um suicidio”, explicou o delegado Ventura.
O que aconteceu?
O delegado do 1º Distrito Policial de Campinas, Hamilton Caviola Filho, estima que o atirador efetuou pelo menos 20 disparos. “Ele sentou a uns dez metros para a frente da porta. Ele não entrou atirando, primeiro ele senta em um banco”, afirma.
De acordo com a Polícia Civil, logo após a entrada do atirador, três pessoas sentaram no banco atrás dele e foram as primeiras a serem atingidas. Entre elas, uma morreu.
“Ele usou uma arma, mas estava com duas. Motivação a gente só vai saber quando identificar, para saber o histórico dele. Eu estou me reportando às imagens. Ele [atirador] parou, pensou e executou o plano que tinha na cabeça […] Ele se matou, mas o policial deve ter alvejado ele porque estava com um tiro na costela, depois desse tiro ele caiu e se matou”, explica Caviola Filho. G1
