Ana Paula Vescovi é secretária-executiva do Ministério da Fazenda Foto: Michel Filho / Agência O Globo
A secretária-executiva do Ministério da Fazenda , Ana Paula Vescovi, afirmou hoje, quarta-feira (28), em entrevista à Rádio Gaúcha, que a área econômica do governo recomendou ao Palácio do Planalto o veto ao reajuste de 16,38% dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF ), tendo em vista o impacto entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões nas contas públicas em um momento de crise fiscal.
Segundo ela, apesar de o aumento ter sido sancionado pelo presidente Michel Temer, a retirada do auxílio-moradia não resolveu, mas mitigou o problema.
Ana Paula Vescovi fez um apelo para que todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) entendam a situação atual e as dificuldades enfrentadas pelo Brasil para colocar as contas em dia. Ela defendeu a redução das despesas públicas, com destaque para as de pessoal e previdenciária.
– Os brasileiros não aceitam mais pagar impostos. Temos um Orçamento engessado, que não nos permite mais fazer ajustes, a não ser por medidas legais ou constitucionais, e estamos com uma conta que só piora, que é a da Previdência. Cada um de nós precisa fazer seu papel. A reforma da Previdência, por exemplo, ataca frontalmente os privilégios do setor publico – afirmou.
‘País menos desigual’
De acordo com a secretária-executiva da Fazenda, enquanto a renda média mensal dos domicílios no Brasil é de R$ 1,300 por mês, um servidor público no “teto velho”, ou seja, antes do reajuste, é de R$ 33,7 mil. Já no “teto novo” passará a ganhar R$ 39 mil.
– Se nós queremos um país menos desigual, uma das medidas a serem tomadas é reduzir as diferenças salariais no serviço publico, enquanto o setor privado não se recupera – completou. Ela enfatizou que a grave crise fiscal não afeta apenas o governo federal, mas a maioria dos estados. Os governos estaduais, afirmou, também não devem focar no aumento de impostos, e sim na redução de despesas.
– Não adianta tomar mais crédito, por exemplo, pois isso só aumenta o endividamento. O que vai resolver é a redução da despesa com pessoal.
Indagada sobre como o Rio Grande do Sul poderia aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) da União, tal como fez o Rio de Janeiro, Ana Paula Vescovi respondeu que a condição principal é a privatização do Banrisul, cuja venda é avaliada em cerca de R$ 4 bilhões. Pelo RRF, o governo gaúcho ficaria três anos sem pagar as dívidas com o governo federal, estimadas em algo da ordem de R$ 9 bilhões.
– A não privatização do Banrisul, que é a companhia mais valiosa do estado, impede a adesão ao regime – disse. O Globo
