Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB Foto: Michel Filho / Agência O Globo
Ex-governador deSão Paulo e ex-presidente do PSDB , Alberto Goldmanafirmou que votará no candidato do PT Fernando Haddad para presidente. Em vídeo publicado em suas redes sociais hoje, quarta-feira, o tucano diz que a eleição de Jair Bolsonaro ( PSL ) traria retrocessos, e que o capitão reformado “passou dos limites aceitáveis” no último domingo ao ameaçar seus opositores.
– Vou, contra a minha vontade, contra o que eu pensava, contra os princípios e contra esses anos de luta contra o PT, acabar votando em Haddad. E, ao final da votação pedir desculpas a Deus, que ele me perdoe – disse. O tucano inicia o vídeo relembrando que lutou contra a ditadura militar e que, no período democrático, esteve sempre na oposição ao PT. Ele disse que a sigla teve posturas reacionárias e nunca pensou no progresso do Brasil.
O discurso de Jair Bolsonaro (PSL) veiculado na Avenida Paulista no último domingo, no entanto, teria levado Goldman a decidir pelo voto no petista. O ex-governador criticou a declaração de Bolsonaro, de que “esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”, transmitida em um telão na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo.
– Minha conclusão é que eu não estou disposto a pagar para ver – disse Goldman, que presidiu o partido após a saída de Aécio Neves do cargo, em 2017, em meio à delação da JBS.
O tucano disse acreditar que a eventual eleição de Bolsonaro não significaria uma ruptura no processo democrático, mas que provavelmente traria retrocessos. Segundo ele, a ascensão de Bolsonaro é responsabilidade do PT. O ex-governador diferenciou o grupo que apoia o capitão da reserva do conservadorismo.
Para Goldman, parte dos apoiadores de Bolsonaro fazem parte de uma “direita que baba, que morde, que quer causar mal às pessoas”. Segundo ele, esse setor da sociedade estava no armário e só saiu por “glória, honra e trabalho do PT”.
Em São Paulo, um dos principais cabos eleitorais de Bolsonaro tem sido o candidato do PSDB ao governo, João Doria, alvo de críticas de Goldman desde que ele decidiu concorrer à prefeitura, em 2016. Em setembro, o GLOBO mostrou a preocupação de tucanos com o voto Bolsodoria . Em um grupo de WhatsApp, Goldman era um dos correligionários que criticava Doria por não se empenhar na campanha presidencial de Geraldo Alckmin.
Na troca de mensagens sobre o lançamento de um cartaz de campanha de Doria ao governo de São Paulo, Goldman criticou a omissão a qualquer “referência ao candidato a presidente, nem ao partido, depois de 24 anos de nossos governos”. O ex-governador escreveu que “não se poderia mesmo esperar dele (Doria) nada nem partidária nem eticamente aceitável”. O Globo
