Passada a primeira fase da campanha eleitoral, alguns cientistas políticos começam a apontar dúvidas a respeito da tradicional polarização entre PT e PSDB.
Ao apontar pontos fortes e fracos dos candidatos, a avaliação geral é a de que a campanha chega à tevê aberta com cinco presidenciáveis disputando o desafio de tirar o pé que Jair Bolsonaro (PSL) colocou no segundo turno — o único que, segundo o cientista político Leonardo Barreto, tem um percentual capaz de dar a certeza de que, se a eleição fosse hoje, estaria na final. “Como a eleição é só em 7 de outubro, e Bolsonaro não tem tempo de tevê, vejamos o que acontece”, diz ele.
A outra incógnita é a transferência de votos de Luiz Inácio Lula da Silva para Fernando Haddad. A expectativa geral é a de que o ex-presidente tenha a candidatura impugnada, o que daria a Haddad a condição de candidato a presidente pelo PT, com Manuela D’Ávila (PCdoB) de vice. Embora a legenda tenha certo favoritismo no Nordeste, os especialistas ainda não dão a transferência dos votos como líquida e certa, porque até aqui, quem mais se beneficiou foi Marina Silva (Rede).
Assim, com Bolsonaro sem muito tempo de tevê, e Lula condenado num processo judicial e preso — portanto, a um passo de ser impedido de concorrer —, o horário eleitoral abre espaço para que todos possam, a partir de agora, reforçar seus pontos fortes. Confira, a seguir, como pende a balança de cada postulante, as características positivas e negativas para a segunda fase dessa rápida corrida eleitoral.
Os pontos fortes e fracos de cada candidato
Alvaro Dias (Podemos)
Forte: tem uma boa performance no Sul do país, em especial, no Paraná, estado sede da força-tarefa da Lava-Jato.
Fraco: vem de um partido pequeno, não terá tempo de tevê, nem grande estrutura de campanha.
Ciro Gomes (PDT)
Forte: larga bem no Nordeste, em especial, no Ceará, estado onde faz política. O programa de ajuda aos endividados promete dar mais visibilidade à campanha. Jogará para tirar votos de Lula. Fraco: está espremido entre Marina Silva, que, até aqui, recebe mais votos lulistas, segundo as pesquisas. Por ter um temperamento, às vezes, mais agressivo, causa desconfiança em parcela do eleitorado.
Geraldo Alckmin (PSDB)
Forte: tem a coligação mais robusta da eleição, o que lhe garante o maior tempo de tevê. Nos maiores colégios eleitorais, como São Paulo e Minas Gerais, o partido dele concorre com dois nomes que hoje lideram as pesquisas para os governos estaduais, respectivamente, João Doria e Antonio Anastasia. Se conseguir transformar essas parcerias e o tempo de tevê em votos, tem todas as probabilidades de chegar ao segundo turno. Fraco: as denúncias que envolveram o ex-presidente do partido Aécio Neves e as dificuldades em colocar os partidos da coligação de corpo e alma na busca de votos capazes de levá-lo ao segundo turno.
Guilherme Boulos (PSol)
Forte: se apresenta como um candidato ligado aos movimentos sociais, o que lhe dá um nicho de poder. Fraco: termina espremido não só pelo PT, como pelo PDT, de Ciro Gomes, e pela Rede, de Marina Silva. Tampouco tem um tempo de tevê expressivo.
Henrique Meirelles (MDB)
Forte: a própria biografia de resolvedor de crises econômicas e um partido presente em todo o território nacional. Fraco: as denúncias que derrubaram a popularidade do presidente Michel Temer e a prisão de emedebistas, como Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, mancharam a legenda. Para completar, Meirelles não conseguiu engajar a estrutura partidária na sua campanha. Em Alagoas, por exemplo, o MDB apoia o PT. No Ceará, idem.
Jair Bolsonaro (PSL)
Forte: é espontâneo no discurso e começou a percorrer o país há mais de um ano em pré-campanha, o que lhe rende hoje, segundo especialistas, a posição de líder da disputa na ausência de Lula. A estratégia será atacar todos os adversários e se apresentar como o “novo” na política. Fraco: não conta com uma estrutura partidária forte, tem dificuldades em detalhar seu programa de governo e costuma se mostrar agressivo quando alguém discorda das suas posições. Também não possui palanques fortes nos estados, embora tenha lançado o maior número de candidatos a deputado.
João Amoêdo (Novo)
Forte: montou um novo partido e não buscou coligações com as legendas existentes. É o candidato mais rico e tem apoio no grande empresariado. Fraco: não tem tempo de tevê nem palanques fortes nos estados ou infraestrutura de campanha.
Forte: é considerado o maior líder popular do país, o que pode render uma transferência de votos ao candidato a vice, Fernando Haddad. É favorito no Norte e no Nordeste e tem como cartão de visitas os oito anos de governo bem avaliados pela população. Fraco: foi abatido pela Lava-Jato, que já lhe rendeu uma condenação em segunda instância e ainda uma série de processos. Conforme a Lei da Ficha Limpa, a decisão da Justiça pode resultar na impugnação da candidatura. Os erros do governo Dilma Rousseff também deixam no colo do PT a crise econômica atual Correio Braziliense
