(foto: Miguel Schincariol/AFP)Com apenas oito deputados federais, o nanico Partido Social Liberal (PSL), que abriga a candidatura do deputado Jair Bolsonaro, ganhou quatro vezes mais filiados do que os rivais na corrida ao Palácio do Planalto. Foram 13,6 mil adesões no primeiro semestre deste ano, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra pouco mais de 3 mil filiações ao PT e à Rede cada; no PDT, o resultado foi de 1.501.
Considerando todos os partidos com registro no País, o PSL respondeu por 14% das 95 mil filiações no período. Analistas afirmam que o descontentamento com PT, PSDB e MDB, que dominam a política nacional desde 1994, aliado ao surgimento de fenômenos populares, como Bolsonaro, explicam esse cenário.
Empurrado por essa onda, o PSL tenta aproveitar para crescer mais – e não só no número de filiados, cujo total chega agora a 241.456, ainda longe de PT (1.589.377) e PSDB (1.460.958), por exemplo.
O partido lançou 13 candidatos para governos estaduais no pleito de outubro. A estratégia fortalece o seu presidenciável, que ganha palanques durante a campanha, mas também favorece candidatos regionais que aproveitam a popularidade do militar da reserva para ganharem notoriedade.
Para o cientista político Emerson Cervi, da UFPR, o momento político brasileiro leva ao crescimento das filiações a partidos menores. “Os números corroboram a possibilidade de fim de um ciclo”, diz ele. “É o ciclo iniciado em 1994 e que estabeleceu PSDB, PT e o hoje MDB no controle da política nacional.
Esses anos fizeram esses partidos crescerem, mas as eleições de 2014 e 2016 já deram sinais de enfraquecimento. É possível que 2018 traga mais sinais desse enfraquecimento.”
Ele acrescenta que o crescimento no número de filiados também tende a beneficiar o partido para além da disputa envolvendo sua principal figura. “O crescimento do PSL pode ter mais a ver com uma estratégia eleitoral do que necessariamente de adesão ao programa do partido.
O programa do PSL está em outros partidos de direita, inclusive maiores. O que o partido fez foi se estruturar para as eleições de 2018. Conseguiu um candidato forte, de visibilidade, se aproveitou do desgaste dos grandes partidos, e com isso tudo junto pôde fortalecer as candidaturas regionais”, afirma o cientista político. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
