(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)Em convenção na tarde de hoje, sábado (21/7), o PSOL lançou Guilherme Boulos e Sônia Guajajara como candidatos ao Palácio do Planalto. De acordo com o cabeça de chapa, o primeiro ato, se for eleito, é revogar os atos do governo de Michel Temer. O anúncio ocorreu no Hotel Excelsior, na Avenida Ipiranga, em São Paulo.
Segundo Boulos, o primeiro desafio é enfrentar o golpe e tirar o país da crise financeira que “a quadrilha de Temer” deixou no país. “É um golpe de uma agenda de reformas, de congelamento de investimentos públicos, de entrega de petróleo e de nossas riquezas para as empresas estrangeiras”, disse. “O nosso primeiro compromisso é revogar os atos deste governo do Michel Temer”, completou.
Boulos afirmou ainda que é preciso combater os privilégios e taxar grandes fortunas, além de acabar com a farra do “bolsa empresário”. O candidato do PSOL também criticou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, é uma prisão política e uma manobra para retirá-lo das eleições.
O candidato também ressaltou que a chapa tem é uma aliança inédita e inovadora com partidos e movimentos sociais. “O que a gente tem visto andando pelo país é que nossa atuação, essa aliança, num momento de tanta descrença, está sendo capaz de despertar esperança para as pessoas e reencantar as pessoas que não vem mais alternativas nessa forma velha de fazer a política”, defendeu Boulos.
Ele ressaltou que quer criar condições de governar o país “com o povo”. “Vamos defender em alto e bom som aquilo que a gente acredita. Não vamos fugir de nenhum tema e nenhum tabu”, defendeu o candidato do PSOL. “Vamos implementar uma política urbana e habitacional para ocupar prédios abandonados. Queiram eles ou não, nós vamos fazer reforma agrária e enfrentar o agronegócio no Brasil”, completou.
Boulos também defendeu a legalização do aborto de mulheres, que, segundo ele, é responsável por morte de milhares de mulheres pobres e negras. “É um tema de saúde pública”, disse. Ele discursou sob gritos de “Eu não largo não o presidente que faz ocupação”. O PSOL conta com o apoio do PCB nas eleições e de movimentos sociais.
Boulos nasceu em 1982 em São Paulo e se formou em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) em 2000. O candidato também é psicanalista, professor e escritor. Atualmente, ele é coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e do Povo Sem Medo.
Críticas
Boulos também criticou os candidatos de direita, principalmente o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Ele provocou: “É valentão, mas na hora do ‘vamo’ ver, se esconde debaixo da mesa e amarela”, disse o candidato, questionando a “coragem” do adversário para debates políticos.
Ele também questionou a aliança do Centrão — grupo de partidos que englobam o PP, o DEM, o PR, o Solidariedade e o PRB — com o tucano Geraldo Alckmin (PSDB); “Centrão é a turma do Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara que foi preso pela Operação Lava Jato), turma do toma lá da cá, do balcão de negócios”, disparou.
Programa
Durante a manhã, o PSOL debateu e votou o programa para as eleições de 2018. A candidata a vice-presidente pela chapa será Sônia Guajajara, a primeira indígena a disputar o cargo. Em discurso, ela disse que a aliança entre os dois traz significados histórico e é essencial para momentos difíceis e de ataques à democracia.
“No socialismo que a gente vai construir não vai mais caber mulheres assassinadas vítimas do feminicídio. No nosso socialismo que vamos construir, não vai mais caber mulheres sofrendo estupro coletivo. Não vai caber morte à jovens e negros da periferia”, afirmou Sônia. “Assumimos esse grande desafio porque a nossa história nos ensinou. A trajetória se constrói na luta e tem que ser com muita consciência, coerência e dignidade”, completou.
A vice na chapa também ressaltou que é preciso unir a nação para enfrentar o poder econômico e político dos poderosos. “Se a gente não lutar por isso hoje, nós estaremos sendo coniventes”, defendeu Sônia. De acordo com o partido, a convenção foi composta pelos 61 membros do Diretório Nacional, além de parlamentares, pré-candidatos aos governos estaduais, às assembleias legislativas e militantes.
O evento foi marcada por críticas à elite do país, que, segundo os palestrantes, estão atuando para um “desmonte” do Estado. Também se tratou sobre um mundo igualitário, com mais oportunidades para a classe trabalhadora. O nome de Marielle Franco, ex-vereadora do partido no Rio de Janeiro — assassinada em março deste ano — foi citado diversas vezes durante os discursos. Correio Braziliense
