O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje, quinta-feira (20), que será “impossível governar o Brasil” se a Câmara seguir o Senado e derrubar o veto que impedia o reajuste do salário de servidores públicos até 2021. Segundo Bolsonaro, a medida teria um custo de R$ 120 bilhões.
— Ontem o Senado derrubou um veto que vai dar um prejuízo de R$ 120 bilhões para o Brasil. Então, eu não posso governar o país. Se esse veto for mantido na Câmara, é impossível governar o Brasil. É impossível — disse Bolsonaro a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada.
Para evitar uma derrota na Câmara, o governo conseguiu adiar para a tarde desta quinta-feira a votação do veto na Casa, que estava prevista inicialmente para a noite de terça-feira. O vice-presidente Hamilton Mourão também criticou a decisão do Senado, mas disse que o governo tem condições de revertê-la na Câmara. Para Mourão, os parlamentares precisam entender a “situação fiscal” do governo.
— Tem condições, sim. Tem que conversar. Os nossos parlamentares têm que compreender a verdadeira situação fiscal que o governo está atravessando. Você quer dar aumento para os funcionários públicos? Já é um grupo que ganha acima da média em relação ao resto do país. Está bem. Vamos tirar recurso da onde? Vai tirar da Saúde, da Educação — disse Mourão, ao chegar no Palácio do Planalto.
Os investidores reagiram negativamente à derrota do governo no Senado, e o dólar comercial abriu em forte alta, subindo 1,49% e cotado a R$ 5,61. É o maior patamar desde 5 de março, quando a moeda encerrou o dia em R$ 5,65.
Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Economia disse que está “muito preocupado com a possível derrubada do veto e com as possíveis consequências para as contas públicas, em especial de estados e municípios”. A pasta disse que estar “junto (à) Câmara dos Deputados tentando manter ponto tão importante para a saúde das contas públicas”.
O congelamento dos reajustes foi incluído no projeto de socorro a estados e municípios por conta da crise causada pelo coronavírus. A proposta prevê repasses de R$ 60 bilhões aos governos locais e autoriza ainda a suspensão de dívidas com a União e bancos públicos, elevando o impacto do pacote a R$ 125 bilhões.
O trecho vetado por Bolsonaro — e agora derrubado pelo Senado — blinda algumas categorias, como médicos e policiais, do congelamento de salários imposto a servidores públicos da União, estados e municípios, como contrapartida ao auxílio federal.
A equipe econômica foi pega de surpresa com a derrubada do veto pelo Senado. Guedes fez campanha pelo veto e chegou a reunir, junto com Bolsonaro, governadores para defender a medida. O GLOBO
