O mês de agosto chegou e trouxe com ele a possibilidade de Bauru alcançar o pico da Covid-19. É o que dizem as estimativas epidemiológicas da Secretaria Municipal de Saúde, que apontam a metade agosto como o período em que a cidade deve registrar maior salto diário de novas confirmações da doença.
O mesmo estudo diz que a queda de casos, pós-pico, deve ter início em setembro, mas o diretor da Saúde Coletiva em Bauru, Luiz Cortez, alerta que o aumento da circulação da população pode comprometer esta projeção.
A certeza sobre o alcance do pico do novo coronavírus, contudo, só ocorrerá dias depois que a cidade passar por ele. “Será preciso observar uma tendência ao longo dos dias para analisar se o pico ocorreu. Não é algo tão simples que dá para saber facilmente no dia seguinte”, ressalta Cortez.
Hoje, a previsão que se tem indica agosto como o mês de pico e setembro como o mês de início da queda de casos, mas trata-se de uma estimativa baseada em um cálculo matemático. E que depende do não aumento no ritmo de contaminação, de até 100 confirmações diárias da Covid-19, para se concretizar.
“São cálculos matemáticos que dependem de fatores que não são fixos, como a taxa de reprodução do vírus (quantas pessoas uma mesma pessoa tem infectado) e o isolamento. Essas variáveis dependem do comportamento da população”, explica Cortez.
O prognóstico é de que Bauru atinja o ápice da transmissão quando alcançar cerca de 5 mil casos confirmados notificados. O número real de contaminados, no entanto, deve ser de 10 a 14 vezes mais, conforme estudos científicos. O que sugere que, quando a cidade chegar ao pico, mais de 50 mil pessoas já podem passado pela doença, só que nem todas tiveram sintomas ou procuram unidades de saúde.
QUEDA
Logo após o pico, ocorre o chamado “platô”, quando os casos param de subir muito e certo período de estabilização é atingido, antes da queda. O platô dura, geralmente, cerca 15 dias, mas Cortez diz que a chance deste estágio da pandemia se prolongar na cidade é grande, se a população não continuar em casa.
“Temos observado que o grau de isolamento diminuiu. É arriscado falar algo agora. A nossa previsão ainda é a mesma, mas se as pessoas acharem que está tudo bem e começarem a sair mais, justo neste período mais crítico da pandemia, este comportamento deve interferir. É matemático, atitudes geram consequências”, pondera o diretor da Saúde Coletiva.
Ele explica que, quando o isolamento cai, pessoas suscetíveis à doença costumam perambular mais pela cidade. E a circulação maior aumenta automaticamente a chance de elas se encontrarem com uma infectada e também se transformarem em propagadoras da doença.
“Se atingirmos o platô e a população começar a sair mais, a transmissão irá crescer e a queda efetiva levará mais tempo”, reforça.
“Tem gente que acha que é bom que todo mundo pegue a doença para acabar logo. É um pensamento errado. Teremos só mais gente se infectando, o que aumenta também o tempo para se atingir a imunidade de rebanho”, completa Cortez. JCNET
