A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu hoje, terça-feira (04), o respeito e cumprimento dos protocolos e regulamentos em vigor no desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19. As declarações de um porta-voz foram feitas depois que a Rússia prometeu “milhões” de doses no início de 2021 e uma vacinação em massa já a partir de outubro.
— Qualquer vacina e qualquer medicamento para esse fim deve, é claro, ser submetido a todos os diferentes ensaios e testes antes de ser homologado — declarou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, quando questionado sobre o anúncio russo durante uma coletiva de imprensa virtual. — Existem linhas diretrizes e diretrizes claras, regulamentos que servem para fazer com que as coisas avancem de maneira segura e eficaz.
A Rússia anunciou na ultima segunda-feira que três empresas biomédicas estariam capacitadas para produzir, a partir de setembro e de maneira industrial, uma vacina desenvolvida pelo laboratório de pesquisa em epidemiologia e microbiologia Nikolai Gamaleïa.
— Às vezes, pesquisadores individuais afirmam ter encontrado algo, o que, é claro, é uma excelente notícia. Mas entre encontrar ou ter a possibilidade de desenvolver uma vacina que funcione e ter passado por todas as etapas, existe uma grande diferença — afirmou, ressaltando que a OMS até agora “não viu nada oficial”.
O ministério da Defesa russo, que colabora com o centro Gamaleïa, disse que os ensaios clínicos realizados em militares “mostraram claramente uma aparente resposta imune” ao novo coronavírus “sem apresentar efeitos colaterais ou anormalidades”.
— De acordo com estimativas iniciais (…), poderemos fornecer várias centenas de milhares de doses de vacina por mês a partir deste ano e, posteriormente, até várias milhões de doses no início do próximo ano — declarou o ministro russo do Comércio, Denis Mantourov, à agência pública de notícias TASS.
Pesquisadores, no entanto, expressaram preocupação com a velocidade do desenvolvimento das vacinas russas, considerando que certas etapas poderiam ter sido ignoradas para acelerar o trabalho sob pressão das autoridades.
A OMS, por outro lado, insiste na necessidade de seguir as regras para o “desenvolvimento seguro de uma vacina, para garantir a clareza de como a vacina trabalha, a quem ela pode ajudar e, é claro, se apresenta efeitos colaterais negativos, e se tais efeitos colaterais são mais importantes que o benefício real”.
A corrida para encontrar uma vacina ocorre em todo o planeta, com 26 candidatas a vacina atualmente em fase de ensaios clínicos (testadas em seres humanos) e 139 em avaliação pré-clínica, de acordo com dados da OMS. O GLOBO
